Portugal ou Nova Zelândia?

Numa altura em que na Internet andam todos a discutir a discutir refugiados ou migrantes resolvi escrever o meu post "da escolha de um país para se viver".

Quem decide mudar faz isso porque procura algo melhor ou diferente e por essa razão deve se integrar na nova sociedade para onde se muda e adaptar-se aos seus costumes (não perdendo a sua própria identidade). Acima de tudo respeitar a sua nova sociedade como ela é.

Isso não quer dizer que se goste de tudo mesmo que nos sintamos melhores no total.
Este é o momento que reforço a comparação entre Portugal e Nova Zelândia.

Estivemos dois anos sem visitar Portugal. Quando chega a esse tempo já só nos lembramos das coisas muito boas e as más nem existiam. Já sabíamos desse esquecimento por isso "lutamos com ele". Ainda assim há sempre as desilusões que apanhamos à mistura com as recordações que eram verdadeiras. Vamos a isto... o sentimento na chegada a Portugal:
O lixo e a sujidade nas ruas: quando cheguei ao Porto comentei as ruas estavam muito sujas e cheias de lixo. Perguntei o que tinha acontecido e a resposta foi que "sempre foi assim, estão iguais" e ainda perguntaram "Onde está a diferença? Se calhar até estão mais limpas". Com o tempo apercebi-me que tinham razão, nada mudou, mas acabado de aterrar de Singapura, onde tudo é imaculado, e vindo da Nova Zelândia, que apesar de todas as obras é muito mais limpo, saltou de imediato à vista.
+ As temperaturas: Já não me lembrava o que era ter um mês todo quente. De calções e t-shirt o tempo todo. Numa semana perfeita no Verão da Nova Zelândia temos 3 dias assim quentes ao ponto de eu estar feliz com a temperatura.
- O caos nas estradas: A foto abaixo não existe na Nova Zelândia. Quando se vê um carro mal estacionado, é aquela excepção no ano. No Porto, cada rua tinha dezenas. O "Chico espertismo" dos condutores que furam, metem e fazem as manobras mais inacreditáveis. O mais assustador é que é tão natural que ao fim de alguns dias já o via como normal novamente. Por cá eles são uns condutores de domingo mas não se vê nada disto, e acreditem que é bom.


+ A comida: Portugal dá 5-2 à Nova Zelândia, e o "2" são as várias comidas Asiáticas que se vende por cá, se não era 5-0.
- A qualidade de vida (no trabalho): Fora algumas excepções (fico feliz por conhecer algumas na minha área de trabalho) ainda me parece que se acredita no trabalhar muito e não no trabalhar bem. Horas é o que conta. Salários completamente ridículos para pessoas com formação superior (e não só) desajustados de uma economia "global".
+ A qualidade de vida (em férias de Verão): ir a uma esplanada, sair à noite, ir à praia, andar numa marginal... ainda não encontrei igual na Nova Zelândia. Este ano no Verão vamos pela primeira vez para o "Algarve" aqui do sítio, mas não acho que seja a mesma coisa.
- O consumismo: Com salários muito mais baixos consome-se muito mais que na Nova Zelândia. Não percebo como. Todas as lojas caras e sempre cheias e com pessoas sempre a comprar. Tudo sempre do melhor e do mais recente. Um exemplo: na NZ não conheço uma pessoa que tenha comprado um carro novo. Em Portugal conhecia uma ou duas pessoas que tenham comprado um carro usado.
+ Brinquedos e roupas para as crianças: o consumismo é mau numa sociedade sem dinheiro, mas na NZ mesmo com dinheiro não se consegue comprar algumas coisas, porque como não há procura não há oferta. Quando se tem uma criança e se quer dar alguma prenda especial é complicado. Ir a um shopping no Porto é uma perdição. Com lojas Disney e afins dou graças por não estar lá e perder a cabeça, mas que às vezes é bom encontrar assim coisas para se dar a uma criança, é.

Depois há muitas coisas que nos remetem ao coração, principalmente a família e alguns amigos.
Dói não poder estar com aqueles que gostamos, mas sinceramente, PARA NÓS, NESTA FASE DA NOSSA VIDA (a trabalhar com um emprego sólido e com uma criança), a escolha é a Nova Zelândia, com Portugal no coração, com o desejo de ficar mais perto (portanto, qualquer outro lugar do mundo poderia ser uma alternativa) mas com a noção que sendo feliz aqui, a curto prazo é para ficar e a médio prazo... logo se vê.

... a longo prazo o mais certo é não estar cá.


Comentários

  1. Vou lutando contra o desejo de voltar a sair daqui e com a ideia de não querer viver tão longe. Ao fim de três meses e de volta à rotina, começo a habituar-me ao nosso Portugal e a esquecer-me do que há lá fora....O que será que me reserva o futuro?
    Fico contente por saber que estão bem de volta à NZ!

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