terça-feira, julho 30, 2013

As mentiras da Lua...

Quando era pequeno ensinaram-me que a Lua era mentirosa. É daquelas coisas que até hoje nunca me esqueci. Ou seja, quando face iluminada (visível) tinha a forma de C ela não estava a Crescer, mas sim a Decrescer (minguar) e quando a sua forma era um D ela não estava a Decrescer (minguar) mas sim a Crescer.

O que nunca ninguém me explicou é que ela não era mentirosa em todos os países.
Aqui na Nova Zelândia, assim como em todos os países do Hemisfério Sul, a Lua é honesta e diz-nos a verdade (aqui deve ser influência a honestidade do país):
Quando tem a forma de C está a Crescer e quando tem a forma de D está a Decrescer.

A razão deve-se à perspectiva (não é como em tudo na vida?) que se tem dos vários locais do mundo de como está a Lua. Considerando as fases da Lua que se usa em Portugal ela está a crescer ou a minguar para todo o mundo ao mesmo tempo, mas a forma como é vista é que é diferente.

Nunca nos tínhamos apercebido disso até esta semana, quando depois da Lua Cheia a lua continuava a "crescer"...

Isto são algumas das maravilhas que se aprendem com a experiência de viver longe de tudo que assumimos como certo e verdadeiro...

Fases da lua - fonte:wikipédia
Para os mais curiosos, há ainda outras diferentes fases da Lua, como por exemplo as fases da Lua Havaianas (clicar na ligação para mais informação).

segunda-feira, julho 22, 2013

Seddon: a cidade do terramoto...

A cidade de Seddon, na Nova Zelândia (na ilha onde estou a viver), foi ontem notícia a nível mundial por ser a cidade mais perto do epicentro do terramoto de 6.5 que causou imensos estragos na capital do país.

Depois de um dia muito agitado os habitantes acordaram esta segunda-feira com uma notícia ainda mais avassaladora: É que quando acordaram tinham a sua cidade no estado de Victoria, na Austrália, a 20km de Melbourne.

Pelo menos foi isto que noticiou um jornal dos Estados Unidos da América ao relatar que o terramoto de ontem tinha sido na Austrália.

Podem ler esta obra prima de jornalismo aqui (podem ler o artigo original no final da notícia pois entretanto foi corrigido).

Basicamente o jornalista confundiu a cidade de Seddon, Marlborough, na Nova Zelândia com a cidade Seddon, na Austrália ao lado de Melbourne.
A partir daqui o jornalista, se é que se pode chamar assim, usou muita imaginação e encontrou a cidade de Napier na Australia, para a confundir com a cidade de Napier na Nova Zelândia, e dizer assim que o sismo se fez sentir a mais de 3000km (é só imaginar todos os sismos em Itália a fazerem-se se sentir em Portugal).

Para além da coleção de erros de geografia e de toda a imaginação do jornalista a falar da falha que ligava estas duas cidades, tinha logo de confundir uma cidade na Nova Zelândia... pondo-a na Austrália... (era o mesmo que dizerem Braga em Espanha, para grande parte do Portugueses).

O jornalismo está mesmo na "Rua da Amargura" e é mesmo a nível mundial. Isto depois da notícia da semana passada dos nomes dos pilotos dos aviões no acidente de São Francisco a somar ao muito que leio em Portugal. Não consigo fazer mais que abanar de cabeça de reprovação.

Por muitas desculpas que peçam a seguir, supostamente deviam ser profissionais. Deviam mas...

domingo, julho 21, 2013

Terramotos na capital...

Tal como em todos os locais do mundo, a Nova Zelândia tem coisas boas (muitas) mas também tem coisas menos boas.

Já falei aqui várias vezes nos terramotos de Christchurch mas hoje a cidade mais atingida foi a capital Wellington, atingida por um de 6.5 na escala de Ritcher e muitas réplicas. Os epicentros dos terramotos estão a ser no Estreito de Cook (o canal que está entre as duas ilhas) pelo que também atingiu várias cidade no norte da Ilha Sul (a ilha onde vivemos).



Não há feridos ou pessoas atingidas mas há vários estragos e uma parte da cidade ficou sem electricidade (o que no Inverno nunca é bom). Obviamente está a ser capa de todos os noticiários locais mas também a nível internacional a CNN tem isto como notícia de primeira página e já li os jornais Portugueses (PúblicoExpresso e JN pelo menos) a falar nisso.

Aqui fica o video dos noticiários de cá:

Para saberem a notícia em maior detalhe podem ler aqui ou para saberem informações sobre os terramotos em tempo real aqui.

Na nossa cidade está tudo bem. Não sentimos nada e a falha que está a causar estes terramotos dificilmente afecta directamente a nossa cidade (é muito longe). Pelo que consultei no site específico da nossa região hoje até tivemos um de 5.2 a alguns quilómetros da nossa cidade, que assim é o maior que já tivemos desde que cá estamos, mas nem o sentimos. Nem sabemos se alguém o sentiu na cidade porque os noticiários hoje só falam nos terramotos de Wellington.

Resumindo, foi um dia agitado no país, principalmente a meio da tarde, mas por aqui foi um dia de "relax". O grande problema é que amanhã (daqui a umas horas) é já segunda-feira e recomeça a semana de trabalho...

segunda-feira, julho 15, 2013

Global Blue Tax Free - Como poupar (receber de volta) dinheiro ao viajar...

Às vezes acredito que devia haver um manual do emigrante ou viajante. Não estou a falar de um desses que dizem que precisamos de Vistos, os salários que se podem ganhar ou os nomes dos aeroportos.
Estou a falar daqueles que nos dizem as coisas não óbvias, que nos podem falhar e que facilmente as conseguimos obter quando estamos fora.

A que me estou a referir? Na minha última viagem a Portugal resolvi fazer várias compras (coisas que não encontro facilmente na cidade onde estou). Na segunda loja onde estava a fazer compras em conversa com o funcionário da loja (sim, eu meto conversa mesmo com toda a gente, é verdade) comentei que vivia no estrangeiro. Mesmo antes de pagar ele perguntou-me em que país vivia, pediu desculpa, mas disse que era para saber se me dava o Global Blue Tax Free, que eu não fazia a mínima ideia (mas como é que nunca ninguém me falou nisto antes???). Quando disse Nova Zelândia ele disse que sim e começou a explicar...

Afinal, o que é o Global Blue Tax Free? 
Ainda não sei todos os detalhes legais por trás disto mas já lhe fiz uso e é qualquer coisa como:

Há um acordo entre vários países e se alguém de um país fizer compras noutro tem direito a um reembolso do dinheiro dos impostos, desde que seja numa loja aderente. As lojas tem vantagens em ser aderentes a isto e posso dizer pela minha experiência no Porto (Portugal) que em seis lojas que fiz compras cinco eram aderentes (algumas tinham mesmo o emblema fora da loja, outras eram aderentes mas não tinham esse emblema, por isso mais vale perguntar).

Como se processa isto? 
Ao fazer as compras, tem que se pedir para os funcionários preencherem o formulário Global Tax Free. Este formulário tem de ser preenchido com todos o items comprados.
Aqui ainda não se tem dinheiro de volta, este só é "devolvido" no aeroporto. Ao fazer o check-in tem que se dizer ao funcionário que a mala tem items para Global Tax Free (ahhh sim, todos os items comprados tem de ser levados para o país no qual se vive). Aí temos de ir deixar a mala à alfândega para o Global Tax Free (em Lisboa, aeroporto onde fiz a minha saída de Portugal, era simplesmente outro posto igual ao das companhias aéreas mas da alfândega). Aí o funcionário confirma se o items da lista estão na mala (deve ser aleatório porque não me confirmou um a um... se calhar por ser roupa dava muito trabalho) e se a residência fiscal da pessoa em causa é a que se alega (no meu caso a minha residência fiscal é a Nova Zelândia e isso apareceu lá no sistema).

Nesta altura o funcionário carimba o papel original e depois de passar os controlos (raio-x e assim) há um posto em que ao se entregar este papel carimbado, como se fosse magia, dão-nos o dinheiro na moeda à escolha (só me deixaram escolher entre EUR, GBP ou USD que não era bem o que queria, mas não deixou de ser dinheiro caído do céu).

Quem pode fazer isto?
Qualquer pessoa ao fazer uma viagem, desde que não esteja no seu país de residência fiscal (sim, para isto temos de ter as residências fiscais todas direitas).

O que é mau nisto tudo?
Aqui é que é a má notícias para muitas pessoas... é que, tal como no Duty Free (este acredito que todos conhecem), também aqui a União Europeia é considerada "como um país"... ou seja, quem vive em Portugal não tem direito a isto na Alemanha ou França por exemplo. Os Portugueses a residir em Portugal conseguem fazer isto na Argentina, Uruguai, Marrocos, Singapura, Japão, Coreia do Sul, Noruega e mais alguns países extra comunitários. Eu, como tenho residência na Nova Zelândia posso fazer, para além destes, em toda a União Europeia. Aqueles que estão nos países Africanos ou Americanos (por exemplo) estão na mesma situação que eu.

Cuidados a ter?
Ao fazer muitas compras temos de ter em conta que certos países temos limites de valores que se podem importar sem pagar imposto (sem ter nada a declarar). Por exemplo há países tem um limite de $2500 de compras no estrangeiro sem se declarar. Aí convém sempre estar informado com o país de origem (depende de cada um). Mas isto já acontecia antes.

Aplica-se a todas as compras?
Sim, desde que a loja seja aderente sim, embora haja um limite mínimo nestas compras. Não me lembro quanto era, mas rondava os 40 Euros em Portugal.

Funciona mesmo?
Sim... já fiz e recebi o dinheiro (quase nem parecia verdade, porque para mim era inesperado.. nunca ninguém me explicou isto antes, como é possível... começo a pensar no que já podia ter poupado no passado).

Quanto se recebe?
Não fosse eu de informática e não teria aqui um simulador... mas como sou, aproveitem e vejam quanto podem poupar, este é mesmo do site oficial:


Se quiserem mais informações podem sempre consultar o site oficial ou começar a perguntar de loja em loja porque nas lojas (melhor ou pior) eles sabem informar.

Tal como tudo neste blog, toda a informação aqui é resultante da minha experiência pessoal e por isso está sujeita a erros. Para mais informações consultem os documentos no site oficial ou informem-se nos aeroportos. A minha ideia aqui é que as pessoas saibam que isto existe.

Se já sabiam de tudo isto, peço desculpa pelo texto todo mas pergunto: Porque é que nunca me explicaram isto antes?

Ski na Nova Zelândia

Um dos factores que ajudou a escolha de Christchurch como destino para viver foi a proximidade de várias estâncias de esqui. Agora com o Inverno no seu pico há que aproveitar.

Para já, a estância que visitamos foi a de Mt Hutt visto que é a segunda mais próxima de casa e das mais próximas é a que (dizem que) tem os melhores meios mecânicos. Como ainda não tinha a certeza se estava bem do joelho foi a escolha das últimas duas idas à neve. Para as próximas semanas vamos tentar visitar outras aqui à volta (ver mapa abaixo).

Mapa de estâncias perto de Christchurch.
Mt Hutt é uma estância relativamente pequena (ver mapa de pistas no Google Maps) comparada com as estâncias nos Alpes Europeus ou na América do Norte mas tendo em conta a quantidade de oferta da região e que podemos facilmente ir a uma ou outra não é um problema de todo.

Embora seja a estância com melhores acessos de Canterbury, este Sábado a tração às quatro rodas não nos bastou e foi preciso (para além disso) as correntes nas rodas nos últimos quilómetros. Esta fica a hora e meia de nossa casa (até chegar lá cima).

Correntes nos pneus mesmo 4x4.
O prémio por chegar lá a cima foi um fabuloso dia para esquiar, com um céu limpo e neve fresca da noite anterior. Ao fundo via-se Christchurch com nuvens (e chuva) por cima da cidade, para lembrar o quão boa foi a escolha do dia para esquiar. Interessante desta viagem é que para além do casal que foi connosco (Checos) já encontramos diversas pessoas conhecidas na montanha (não fosse Christchurch quase uma aldeia que todos se conhecessem e esta a estância mais "comercial").

Vista do ponto mais alto onde chegam os meios mecânicos.
Apesar de ainda estar a recuperar aos poucos de uma lesão no joelho esquerdo, os resultados do dia de ontem já foram bastante mais animadores (tendo em conta a recuperação de seis meses sem fazer desporto). Ao fim de 20km a esquiar, estes foram os resultados do primeiro dia sem qualquer dor (embora ainda com algum receio e a forma física longe dos 100%):


Os próximos destinos (como objectivo) devem ser as estâncias de Broken River (que não tem cadeiras, mas apenas cordas com uso de nutcrackers - desafio quem gosta de desportos de neve a clicar e ver o que é isso) e Hanmer Springs (e fazer uso das piscinas termais depois do esqui).

terça-feira, julho 09, 2013

Mapa Mundo - Parte II

Viver no lado do mundo oposto ao que se nasceu dá-nos novas perspectivas sobre o planeta a que chamamos casa e faz-nos pensar sobre muita coisa. No fim de semana passado vi, num posto da polícia, um mapa que não só era centrado no Pacífico como estava em "pernas para o ar", e com a simpática legenda: "no longer down under" (que traduz para qualquer coisa como "já não estamos mais na parte de baixo do mundo").


Depois de há alguns meses ter escrito neste blog sobre o Oceano Pacífico ficar centrado em alguns mapas aqui na Nova Zelândia, isto fez-me pensar sobre porque razão o Norte é para cima e o Sul para baixo, tendo em conta o formato da terra?

Na realidade não existe uma razão científica para isso. Esta é apenas a representação mais aceite no mundo ocidental (isto na nossa definição de "mundo ocidental", porque essa também é outra definição "nossa"), sendo a projeção no plano mais conhecida a projeção de Mercator, criada em 1569 (e que também tem várias distorções).

As grandes potências mundias, na altura em que se começaram a desejar os mapas, eram Europeias e por isso parte "mais relevante" do mundo em grande parte dos mapas acaba por ser a Europa. Mas algumas culturas assumiram o Sul como estando no topo dos mapas, sendo exemplos disso muitos mapas antigos criados por cartógrafos Árabes e Egipcios.

As projeções também sofreram essa mesma influência, pois, por exemplo, na realidade o tamanho de África é muito superior à representada na projeção de Mercator. Um exemplo que nos ajuda a perceber isso é a projecção de Gall-Peters (mapa abaixo). Estas projeções levantam algumas controvérsias sobre a influência dos países na criação de mapas, mesmo actuais.


No mundos dos mapas conseguimos encontrar histórias super interessantes como o Mapa Universal corrigido de McArthurs's, um Australiano que criou um mapa, que hoje em dia tem centenas de milhares de cópias em todo um mundo, porque se sentia mal por todos se referirem a ele como vindo "lá de baixo".


Na realidade desenhamos os mapas como vemos o mundo, e é isso que temos sempre de ter em mente quando olhamos para algo. Temos a nossa visão, como tudo o que nos é oferecido e apresentado na vida. Da mesma maneira que antigamente se desenhavam os mapas com as partes do mundo que se conhecia. 



domingo, julho 07, 2013

Aberta ao público...

Depois de mais de dois anos, desde o terramoto de Fevereiro de 2011, a cidade de Christchurch volta a estar aberta ao público.

Os cordões que marcavam a zona interdita foram levantados e o exército abandonou o centro da cidade.
Num fim de semana dedicado a montar a casa, depois de esta ter sido pintada, dedicamos também algumas horas a "conhecer" pela primeira vez a cidade no seu todo. E de repente tudo fica muito mais perto...

Aqui ficam algumas fotos e um video do coração de Christchurch, com a catedral ainda desfeita mas com muito já a acontecer e muitas lojas abrir. Agora falta começar a reconstrução...





Video de como a vida começa a surgir no centro de Christchurch...

quinta-feira, julho 04, 2013

Projecto Loon - Google

Há cerca de um mês a Google desvendou um dos seus projectos mais... astronómicos: a Internet de balões da Google.

De uma forma extremamente simplificada a Google lançou diversos balões para a atmosfera que irão viajar com os ventos e formar uma rede de internet que vai comunicar de balão em balão e com os aparelhos em terra de forma a se ter rede de internet nos lugares mais remotos do mundo.

Para já ainda é uma fase extremamente experimental mas é sem dúvida algo que pode ser o futuro da internet e das redes de telefone.

Porque é que isto é de especial relevo para mim? É que a primeira zona experimental do mundo deste novo projecto da Google é a região de Canterbury, aquela em que vivo, e a cidade onde foram feitos os lançamentos dos balões, a cidade de Christchurch.


Na imagem acima podemos ver alguns dos balões a passar mesmo por cima da nossa casa.
A seguir estão as imagens que a Google publicou dos balões após o seu lançamento.

 

Os detalhes deste projecto podem ser seguidos na conta de Google+ (eu sei que poucos usam isto, mas não estavam mesmo à espera que fosse no Facebook, pois não?) do Projecto Loon


quarta-feira, julho 03, 2013

De queda em queda...

Esta semana, em Portugal, o que mais se fala é da queda de ministros do governo (para já dois já foram, e prevê-se que hoje caiam mais dois) e que o Euro também caiu como consequência disso.

Podia dizer que isso seria bom para mim, não fosse a queda também do Dollar Australiano que faz com que o Dollar Neozelandês também tivesse caído, ou seja, relativamente ao Euro estamos iguais.

Como, apesar de ter muita vontade, prometi a mim mesmo não usar este blog para comentar a situação política em Portugal, vou falar das quedas em Christchurch:

Esta semana caíram as barreiras que marcavam a Red Zone (zona interdita devido ao terramoto de Fevereiro de 2011) e agora a cidade deixa de ter zona interdita (era patrulhada pelo exército e não se podia entrar).

Ainda não tivemos oportunidade para visitar esta zona porque o fim de semana passado foi passado nos Alpes, e por isso as fotos são mesmo de ski. Pelo menos aí não houve quedas (teve de ser muito de devagar para não se ter nenhum lesão). Sem quedas fica-se com uma vista fantástica, a uma hora e vinte minutos de casa, onde podemos estar a esquiar enquanto se vê o oceano... o Oceano Pacífico ou do outro lado os brancos picos dos Alpes. A natureza no seu melhor, como sempre, na Nova Zelândia: