sexta-feira, novembro 30, 2012

A Bandeira...

A coisa mas fantástica de ter um blog é nós próprios o relermos e nos conhecermos (como éramos).
Muito mais interessante e organizado que um Facebook.

Lembrei-me disto porque a minha bandeira apareceu no meio de todas caixas. E vivemos, o tempo passa mas no fundo somos quem somos. Esta mesma bandeira tem me acompanhado sempre que saí por mais tempo do "meu Porto".

Revia esta e esta mensagens de 2005 e 2006 no meu blog, das duas casas onde vivi em Delft (Países Baixos), e lá estava ela sempre a dizer "presente". Engraçado ainda ver na primeira mensagem que o mapa mundo já lá estava, só que um bocadinho diferente do actual... somos os mesmos mas a vida muda...


Ainda está longe de ser a nossa casa do Porto (Leça do Balio), e isso de certo ainda vai demorar porque também essa demorou o seu tempo a ser um lar, mas pelo menos já começa a se parecer uma casa sem paredes vazias e quartos vazios.

terça-feira, novembro 27, 2012

As malas já emigraram...

Dia de festa...

No dia 15 de Setembro escrevi aqui no blog sobre a partida das nossas coisas rumo à Nova Zelândia.
Hoje, dois meses e meio depois, recebemos umas prendas de Natal antecipadas e chegou tudo.

Viver dois meses e meio com os conteúdos de duas malas grande e duas malas pequenas é qualquer coisa de estranho, mas esta fase está ultrapassada.

Coisas tão importantes como Playstation, bicicletas, skis, aparelhagem de som e CDs, Saxofone, Gaita-de-foles, PUFF, camisola do FCP e bandeira de Portugal (ainda não a encontrei, mas ela está lá algures) acabam de entrar na nossa casa em Christchurch. (sim, o que interessava era isto, ou pensavam que era a roupa e sapatos?)

Para se ver "o depois"...  aqui ficam as fotos da chegada:





sábado, novembro 24, 2012

Meter o dinheiro no...

... banco.

Como em todos os países capitalistas mais modernos, a paisagem nas maiores áreas citadinas da Nova Zelândia não deixa de ser marcada por inúmeros bancos.

Quando vivia nos Países Baixos vi-me confrontado com um banco que desconhecia e que, até à altura, nunca tinha visto em Portugal de seu nome Rabobank.

O nome é no mínimo curioso aos olhos e ouvidos de um Português, e quando vim viver para a Nova Zelândia descobri que um dos poucos bancos que era não era Neo-zelandês ou Australiano e que por aqui operava, era o Rabobank. Mas já não havia muitas piadas a fazer com o nome deste banco... até que descobri o NZCU (sabendo que NZ é sempre a sigla para Nova Zelândia)...

É que um nome até podia ser acidental, mas dois bancos a quererem dizer o mesmo. Isto de certo é um fetiche aqui da zona sobre onde meter o dinheiro. Mas pelo menos não se ouve falar em desperdícios...

Deixo aqui duas fotos tiradas hoje... para mais tarde recordar...



quinta-feira, novembro 22, 2012

Vulcões e terramotos...

Para os que virão nas notícias um vulcão a entrar em erupção na Nova Zelândia fica aqui o esclarecimento:

Apesar de Christchurch estar na encosta de dois vulcões, ambos estão extintos e o ponto quente que lhes deu origem já não existe. Neste momentos os únicos vulcões adormecidos (e activos) são na ilha Norte.

Por aqui o maior problema é mesmo os terramotos, que estão do mais sossegado que já se viu por cá nos últimos 2 anos e pico (não sentimos nada há semanas). Não sei se isso é bom ou mau sinal: das últimos duas vezes também acalmaram antes de haver um muito forte.

Curiosidade: Ainda na onda do "Senhor do Anéis" (ver post anterior), o vulcão que se vê no filme como sendo o lugar onde o anel pode ser destruído é mesmo um vulcão activo na Ilha Norte. 


Vulcão no filme Senhor dos Anéis (já com alguns efeitos especiais) 

segunda-feira, novembro 19, 2012

Na rota do Senhor dos Anéis...

Entre 1937 e 1949 J.R. Tolkien escreveu um dos romances de fantasia mais conhecido dos últimos anos: O Senhor dos Anéis (Lord of the Rings).  Nos seus textos descrevia lugares fantásticos cheios de encanto que se encontravam em Middle Earth. Na década passada Peter Jackson encontrou esses lugares na Terra, mais exactamente na Nova Zelândia e criou a triologia cinematográfica com o mesmo nome. 

Depois das várias perguntas se já tínhamos "visitado Middle Earth" resolvemos ir ao encontro de alguns de muitos dos lugares onde foi filmada esta triologia. O resultado? Lugares fantásticos, completamente isolados do mundo como o conhecemos no nosso dia a dia. Valeu a pena o esforço e as dificuldades de acesso. Ficam ainda vários por conhecer. Já começa a haver planos para isto.

Nada como umas fotos para mostrar, mas mais do que isso, um video digno de se ouvir com o som ligado, de um destes locais:

Fundo de algumas cenas de batalha
Floresta onde se passam algumas batalhas.
Acesso entre alguns dos lugares... onde só os mais audazes passavam.
Dan's Paddock
Edge of Lothlorien
Quando nos apercebemos que somos tão pequenos...

... e que há tanto para conhecer.
Temos de desviar os obstáculos da vida para prosseguir em frente.


Video de um dos locais de filmagem... digno de ter o som ligado... 
A Natureza no seu melhor...

Wanaka e Queenstown

Fim de semana alargado na Região de Canterbury, logo oportunidade para conhecer um pouco mais da Ilha Sul. O destino foram as cidades (ou vilas, não sei como as classificar) de Wanaka e Queenstown.

São dois locais de sonho mas muito diferentes um do outro. Wanaka é um lugar de repouso. Queenstown, com uma paisagem de sonho, tem as actividades mais radicais do mundo todas concentradas. Num post mais à frente falarei sobre tudo o que radical (e sobretudo LOUCO) há por lá.

Como era para ser um fim de semana calmo o mais radical que fizemos foi o Shotover Jet Boat (clicar para ver um exemplo).

Depois de MUITOS km's de carro, ficarmos alojados num Bed and Breakfast (ficar em casa de pessoas que alugam um quarto e nos dão pequeno-almoço) onde aprendemos um pouco sobre a região de Otago com um casal nos seus 70 anos de idade e uma busca por lugares paradisíacos fica um saldo de fim de semana super positivo.

A caminho de Otago...
Bed and Breakfast em que ficamos... com a Kate (no canto inferior esquerdo)
Pelas ruas de Wanaka...
A olhar para o Lago Wanaka...
Puzzle world
Mais de uma hora para sair do labirinto... mas prova superada...
Uma vista sobre Queenstown...


segunda-feira, novembro 12, 2012

Netball.. e o mundo está perdido...

Um dos desportos que é "grande" aqui na Nova Zelândia é o Netball. Podia explicar imensas coisas sobre o Netball, mas na realidade... ainda não percebi o desporto. Só sei que é apenas jogado por mulheres (ou no máximo por equipas mistas, embora não seja comum) e que tem um cesto parecido com o do Basquetebol mas sem tabela.

Qual a razão porque estou a falar disto então? 

Porque o mundo anda todo louco com uma música (e ponham loucura nisto) e esta foi a entrada que a Seleção Nacional da Nova Zelândia (as Silver Ferns) fez antes do jogo com a Inglaterra

Qual haka qual quê... só espero que isto não pegue para outros desportos...


Falar para o balão...

Este fim de semana fui mandado parar pela polícia (à porta da casa nova) para teste de alcoolemia e drogas... (já são tantas vezes como em Portugal, onde só fui mandado parar uma vez)

Isto aqui operações de polícia é sempre andar:
(traduzido)"Bom dia... diga o nome e morada aqui para o aparelho".
Eu olho com algum espanto para um aparelho parecido com os nossos "balões" mas sem ter para onde soprar e digo:
"Rui Guimarães, blá blá blá"
Polícia: "De onde é que é?"
Com todo o meu orgulho: "Portugal"
Resposta com sorriso: "País muito bonito, pode seguir".

Desde o momento que parei até me ter mandado seguir, incluindo o "falar para o balão" não chegaram a 30 segundos... diria perto 20... É SEMPRE A ANDAR...

Quanto aos sorrisos, é mesmo assim: todas as pessoas são incrivelmente simpáticas. Parece que andam sempre bem dispostas. Acredito que todos devem ter os seus dias complicados, mas aqui ninguém os aparenta e tem sempre um sorriso para mostrar a um estranho. E muitos ainda cumprimentam na rua só porque sim.


Já agora... as matrículas cá podem ser personalizadas pagando "um pouco" mais (1400$). Gosto em particular da matrícula deste carro da polícia: "SlowDn"(Abrande). 

domingo, novembro 11, 2012

Casa nova...

Começo a perder a conta ao número de casas onde vivi por algum período da minha vida (mais de 7 certamente).

Hoje foi dia de mais uma mudança de casa. Esta foi feita com a certeza que não será a última mudança que hei de fazer na vida, mas espero que pelo menos passem dois anos antes de ter de voltar a trocar de casa.

Por vezes é estranho não ter tido aquela vida tradicional de "Viver com os pais" --> "Viver em apenas uma casa após sair de casa (por ter casado)", e por muitas vezes (demasiadas) é cansativo. Por outro lado já nada é como há uns anos atrás e se queremos lutar por algo esse é definitivamente um ponto que se tem de abdicar.

Em conversa com o meu chefe (que é do Reino Unido) sobre estas mudanças e sobre a saudade da família, fica-me esta frase dele na memória: "mesmo que seja difícil e que não consigamos estar fisicamente com eles, fica-nos o conforto de eles saberem que estamos a viver uma vida melhor por estar assim longe e ficarem felizes por nós".

A última vez que fiz uma mudança assim (para Leça do Balio) pensei que fosse mais definitiva, e já foi a pensar em diversas coisas no futuro. A vida mostrou-nos um caminho diferente e agora a nova morada é Christchurch. A ver se gosto tanto desta morada como as outras cidades da minha vida: Porto e Delft.

Para já sim...

p.s.: isto quer dizer que já podemos receber visitas de amigos... a casa fica a 1 minuto a pé do Hagley Park se isto ajudar a convencer alguém...



quarta-feira, novembro 07, 2012

Globalização...

Durante a semana a vida por aqui é bastante normal (fora os treinos desportivos) e por isso não há aventuras desmesuradas a contar só por se estar do outro lado do mundo.

Mas de saldo do meu dia de hoje tenho o momento em que percebi o que era globalização: um português e um canadiano sentados lado a lado na Nova Zelândia e ver atentamente os resultados das eleições dos Estados Unidos da América. 

E a minha equipa trabalho também não podia ser mais representativa dessa mesma globalização. Em 16 que somos há proveniência de pelo menos 9 países: Nova Zelândia, França, Reino Unido, Estados Unidos da América, Malásia, Rússia, China, Irão e Portugal. Na sala ainda tive, antes de alguns voltarem de férias, um Argentino e outro Chileno, mas eles trocaram de piso.



Oh Relvas, oh Relvas, Badajoz à vista...

Apesar de estar fora do país não posso deixar de ficar atento ao meu país, e por isso gosto de folhear virtualmente as notícias do que por lá se passa.

Até não sou um fã absoluto de Miguel Esteves Cardoso, mas, tenho de admitir, que ele de vez em quando escreve umas boas verdades de uma forma no mínimo "caricata". Este foi o seu mais recente artigo publicado no Público:

O não-dr. Relvas


"Por várias razões, a licenciatura em Ciência Política de Miguel Relvas não me faz chorar nem rir: é mais como entrar em coma. Os estudos políticos não são uma ciência. Toda a gente sabe isso, incluindo os pobres esperançosos que ainda acreditam que, um dia, possa ser, como a economia, uma "ciência sorumbática" - outra dismal science, na expressão de Carlyle. 
Mas o não-dr. Relvas não tirou curso nenhum. Por muito mau que seja o curso de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Lusófona (UL) se o o não-dr. Relvas o tivesse tirado, não só seria dr. Relvas, como seria, com certeza, menos ignorante. 
Ao licenciá-lo, a UL, de uma só cabeçada, faz pouco do ensino superior, da ciência política, do Curso de Ciência Política na UL, das licenciaturas da UL e de todos os que já se licenciaram e vão licenciar-se na UL. 
É como se uma zebra se apresentasse a uma universidade, como zebra, com experiência de zebra, para ter direito a ser licenciado como zoólogo. É confundir o ser o que ele é com quem estuda o que ele faz. 
Por muito legal que seja, a equivalência insulta a licenciatura universitária: estudar é estudar livros e autores, num ambiente de estudo, sob a orientação de professores. A UL fez, como dizem os americanos, cocó no local onde come. 
É um incitamento a não estudar, a ir para a vida e vir buscar o canudo quando der jeito. O não-dr. Relvas, entre outros, foi beneficiário - e vítima - disso. 
Coitado; não aprendeu.", Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, novembro 05, 2012

Remember, remember the 5th of November...

Hoje é dia 5 de Novembro.

Curiosamente na Nova Zelândia, bem como no Reino Unido, África do Sul, partes do Canadá e Caraíbas celebra-se o dia da captura (e mais tarde morte) de Guy Fawkes com a "Noite das Fogueiras". Rebentam-se foguetes (verdade seja dita já aqui oiço os foguetes a rebentar há alguns dias, os miúdos não resistem) e fazem-se fogueiras (essas admito que ainda não as vi, mas a noite também é só hoje).

Guy Fawkes foi um de 13 conspiradores Católicos Ingleses que em 1603 tentaram assassinar o rei protestante James I de Inglaterra, VI da Escócia (fazendo explodir o parlamento em Londres) pela falta de liberdade religiosa que ele dava aos súbditos. Ele foi apanhado com diversos barris de pólvora pronta a explodir na cave do parlamento devido a uma denúncia de um dos conspiradores que não queria mortes de outros Católicos na mesma explosão.

O curioso nisto é que já se "celebra" este dia desde esse ano (no Reino Unido) pela captura e exemplo do que aconteceu aos conspiradores e pela sobrevivência do rei. Mas hoje em dia quando se fala nesta figura e principalmente quando se vê a máscara representativa de Guy Fawkes vem-nos à memória uma outra interpretação desta mesma história, que nos é relembrada na banda desenhada V for Vendetta (que mais tarde deu origem a um filme):

- Os conspiradores estavam a lutar pela sua liberdade, contra a opressão e imposições que o rei e governo lhes estavam a fazer. Na realidade lutavam pelo que hoje assumimos como básico mas que acredito que nem hoje em dia acontece.


Na altura a população festejou o que seria a captura e morte daqueles conspiradores porque quando se está demasiado perto não se vê o óbvio, e vemos o que nos mostram (a notícia que passou para o povo na altura foi simplesmente: "o rei foi salvo..." e só muito mais tarde se soube a verdadeira história).

Este dia é celebrado na Nova Zelândia, um país que é considerado o menos corrupto do mundo. Portugal não celebra o 5 de Novembro. Lembra-se dele, na maior parte dos casos, por causa de um filme, mas à distância questiono-me se com tanta coisa má não deveria haver um 5 de Novembro também no país. Continuo a achar que os mais corruptos são os que aí mais facilmente chegam ao poder, tiram cursos sem estudar, mentem para ter votos prometendo o impossível e depois ainda há desses os que vão gozar o que roubaram para Paris. E o povo continua a ser iludido tal como em 1603 o povo na Inglaterra foi.

E questiono-me novamente quem afinal devia se lembrar do 5 de Novembro...