segunda-feira, novembro 28, 2016

Banks Peninsula... ao lado de casa...

Depois de três publicações seguidas de uma das desvantagens de viver na nossa ilha e de todas as perguntas de "porquê ainda assim escolhemos viver aqui"... fica o nosso fim de semana para responder a isso.

Queríamos dar umas voltas durante o fim de semana mas sem dormidas fora ou gastar dinheiro:
Para Este temos o mar.
Para Oeste estão as montanhas, que vamos imensas vezes, mas estava muito mau tempo para lá.
Para Norte, ainda por causa dos terramotos, as estradas estão cortadas.
Para Sul estivemos há duas semanas a passar o fim de semana prolongado e não apetecia repetir.

Conclusão ficamos pela cidade e a demos duas voltas por Banks Península. É um conjunto de colinas que tem pequenas povoações que ainda tem ligação à nossa cidade (pertencem ao mesmo city council) embora já não sejam "cidade" de todo. Existem estradas para as principais localização mas existem caminhos onde não passa praticamente ninguém, pelo meio das colinas, onde se podem andar horas sem nos cruzarmos com outros carros e com paisagens de sonho.
Aí existem diversas praias, baías e miradouros sem turistas e raramente com locais.
São diversos cantos secretos que gostamos de visitar e passar algum tempo (muitos deles visitamos várias vezes).

Ficam aqui algumas fotos de Sábado e Domingo, ao lado de casa, em Banks Península. Várias horas a explorar e sobretudo gozar os recantos escondidos (sobretudo desertos de gente) mesmo ao lado de casa.







sexta-feira, novembro 18, 2016

Vídeos antes e depois terramoto...

Depois dos meus últimos dois posts tive diversos amigos e conhecidos a comentarem-me: "Ahh.. vocês estavam prevenidos, ainda bem, tinha a certeza que estavam bem por causa disso".

Nestas alturas fico com a sensação que passei uma mensagem um pouco errada. Afinal a prevenção ajuda-nos a minimizar o risco, mas tanto neste terramoto, como em futuros, quer sejam aqui, em Lisboa ou no Japão é um minimizar visto isto ser uma coisa tão maior que nós. Não existe uma situação livre de risco.

Tive um amigo que esteve no epicentro do terramoto desta semana. E para alguém super aventureiro a descrição dele foi aterradora, ainda mais porque estava com os filhos e restante família. Não só o terramoto como as horas seguintes, sem telefone, electricidade, no escuro e a saber em teoria que havia risco de tsunami (estava à beira mar).

E não é difícil de imaginar o quão pior tudo poderia ter sido. O terramoto foi às 0h02m de Domingo. Tinha sido um fim de semana prolongado e umas horas mais cedo o movimento naquela zona era muito maior visto ser o caminho de regresso de muitos de volta a Christchurch.
Às vezes explicar à distância o quão pior podia ter sido é complicado, afinal estas coisas acontecem "sempre longe".

Para os que acompanham este blog, faço diversos vídeos mas a percentagem de video que acabo por publicar é sempre residual comparado com tudo o que filmo. Resolvi e aos meus arquivos e editar duas gravações minhas de há 2 e 5 meses atrás na zona mais afectada e comparar com as filmagens aéreas de agora da proteção civil. Reparem na estrada e quantidade de carros.

Assim duas das viagens recentes que passamos no local mais afectado ficam neste video que juntei agora rapidamente:


Do minuto 1:50 até ao final do meu vídeo (anterior) estamos a passar pela zona do seguinte video:

Antes disso passamos por este local:

Na realidade o poder de terramoto é incrível de se ver com os metros que a terra levantou de um dos lados da falha. Neste dois vídeos seguintes é bem visível:



E num local que correu os olhos do mundo por causa de três vacas, a mim o que me impressiona é a quantidade de terra que se mexeu. Literalmente a montanha moveu-se:

É por uns momentos assustador e vemos o quão pequenos somos. Quantos carros não podiam estar a passar ali, mas não estavam. E o que se podia fazer? Não havia mantimentos ou rádio que fossem ajudar. Mas a realidade é que isto pode-nos passar pela cabeça mas temos de seguir em frente, a vida continua e não  pode ser diferente. Acho que lidamos com isso bem pois mudamos-nos para esta país com esta consciência: um país fantástico mas sujeito à natureza e daí estamos aqui.

Vamos sofrer mais terramotos, é certo. É ainda expectável uma réplica >6.0 nas próximas semanas. Mas aprendemos com tudo isto e pode ser que fiquemos tão fortes como os neozelandeses.
Note-se que neste cenário não se vê pessoas aos gritos, choros e pânico. Tinha visto imagens do terramoto de Christchurch e no meio de caos as pessoas muitas vezes estavam em silêncio.

Finalmente um gráfico dos últimos terramotos só na nossa região (não aparecem aqui nenhuma outra região do país, mesmo que na nossa ilha).
Todos acima de 4,0 (linha verde) sente-se. Os outros na maior parte das vezes passam despercebidos mas às vezes, principalmente acima de 3,0, ainda se sentem.

Honestamente, mesmo assim e para já, não fico a gostar menos do país por isto.

E de novo, para a malta de Portugal que vive em zona de risco, não se esqueçam de pelo menos saber o que fazer em caso de emergência.

segunda-feira, novembro 14, 2016

Terramoto vivido por nós...

Nem há 15 dias atrás, no meu último post aqui no blog, escrevi que já estávamos há vários meses sem nenhum terramoto mas que mesmo assim tínhamos de estar sempre atentos e prevenidos.

Hoje, à meia-noite e dois minutos sentimos o maior terramoto que nós sentimos até hoje. Foi o mais forte a atingir a Nova Zelândia desde a década de 1930, o que num país com a história de terramotos da Nova Zelândia é muito.

Felizmente para nós (infelizmente para outros), apesar de muito perto de Christchurch, o epicentro foi a cerca de 100km a norte da nossa casa, em Hanmer Springs, um dos nossos locais normais para passar o fim-de-semana. A zona mais afectada foi Kaikoura, onde se registaram dois mortos até ao momento. Kaikora é outro dos nossos destinos de fim de semana regulares (assim como também é um destino muito turístico).

A nossa primeira reação ao sentir o terramoto foi ir para a beira da Sofia e, embora este tenha sido muito comprido, com as portas da casa a baterem do movimento e, sobretudo, com a casa a chiar, não acordou e continuou no seu sono.
Não foi particularmente violento (já tínhamos sentido mais violentos) mas a duração e o tipo de terramoto já fazia prever algo muito grande e longe (o meu primeiro pensamento foi que tivesse sido a falha alpina).

A electricidade não falhou e até tínhamos net. A primeira reação foi ver a intensidade e local do epicentro na net: 7,4 na escala de Ritcher. Assim era garantido que ia ser notícia em Portugal, portanto a primeira reação foi mandar email à família. Poucos minutos depois o Facebook enviou uma mensagem do centro de emergência para nossa localização, então fomos actualizar o estado lá para informar mais pessoas.

Uma vez com o rádio a funcionar (a informação na net estava a ser escassa) fomos informados do risco de tsunami para todo o país. Inicialmente as sirenes de tsunami não dispararam na nossa cidade pois o risco era reduzido, mas com Wellington a ser evacuada e com centenas (pelo menos mais de 200) de réplicas as sirenes acabaram por disparar também na nossa cidade.

Como estávamos fora da zona de risco (1km da costa e dos rios) não evacuamos.

Durante as horas seguintes (até cerca das 4 da manhã) fui ouvindo no rádio os detalhes do que estava a acontecer, principalmente no que tocava à evacuação da nossa cidade.

E aqui mostra-se o quanto por muito preparado que estamos, nunca estamos suficientemente.
Coisas que nos falharam:
  • Rádio: Sim, tínhamos rádio, mas não estava carregado. Dava para carregar com manivela mas numa situação de emergência não dava jeito. Como tínhamos electricidade ficou resolvido, isto se soubéssemos a frequência da emissão de emergência. Lá descobrimos, mas daqueles detalhes que na escuridão (que não foi o caso) não se encontrava.
  • Lanternas: temos várias lanternas espalhadas pela casa. A lanterna da sala, a pilhas, ainda estava dentro daquelas capas de plástico (quando se compram) que são impossíveis de se abrir sem uma serra eléctrica. No escuro não tinha sido fácil. A do carro, foi usada este fim de semana, e por isso não estava totalmente carregada.
  • Tsunami: temos muitas coisas planeadas para terramoto. Acho que não tínhamos um plano para alerta tsunami. Ainda estive a ver online o risco que tínhamos. Isto porque tínhamos net. Se não tivéssemos íamos ter de improvisar um outro plano.
Ou seja, para nós, e até agora, acabou por não ser crítico, apenas a "emoção" da situação. Note-se que as réplicas ainda não pararam. Ainda hoje, na empresa, parei duas reuniões por uns momentos por causa das réplicas.

O alerta de tsunami manteve-se toda a (nossa) noite. Tivemos amigos em Wellington que foram evacuados e tiveram de ficar em casa de amigos. 

Agora de manhã percebeu-se a dimensão dos estragos. Kaikoura está completamente isolada (os únicos acessos são pela costa e várias derrocadas cortaram o acesso à vila) e bastante atingida. Houve uma pessoa que faleceu com a queda de uma casa e outra que teve problemas médicos (acabando também por falecer) devido à situação de pânico. Ainda não se sabe se está alguém debaixo das encostas mas para já nada aponta nesse sentido, principalmente por causa da hora (já fizemos esta estrada às 23h e estava deserta, por isso a probabilidade de ter carros é baixa).



Fonte: fotos do Facebook da Proteção Civil de Canterbury
Nós conhecemos bem estas estradas. Tenho vários filmes que já publiquei aqui no blog nestes mesmo sítios. Ainda tínhamos colegas, que estão bem, mesmo no meio do ponto pior, em Kaikoura. Entretanto já foram resgatados pela proteção civil mas ainda estão presos na vila (sem perigo).

Ainda partilho um video para se ter ideia da dimensão:

NOTA: Enquanto estava aqui agora escrever este post, neste exacto momento, mais uma réplica forte.

Voltando ao texto...
Nas horas seguintes ao terramoto fui contactado por diversos jornalistas. Alguns que já conhecia de entrevistas anteriores e vários outros que iniciaram o contacto comigo para saber informações.
Como eu não sabia detalhes, não estávamos tão afectados como noutras regiões optei por não falar a ninguém sobretudo para não dar informações sem conhecimento do que estava realmente a acontecer (que era o nosso caso).
Acho importante não nos precipitarmos a dar notícias até porque vemos IMENSAS notícias e imagens que NÃO retractam o que está de facto a acontecer. Por exemplo, Christchurch é sempre dado como a cidade mais afectada e não é o caso. Até tivemos muita sorte. Em alguns canais de televisão (na RTP por exemplo) passaram imagens do terramoto aqui da cidade 2011 como sendo o de agora (que nem podia ser porque tinha sido de noite).
Em alguns jornais (JN) a notícia principal era que as autoridades disseram às pessoas subirem às árvores por causa do tsunami, quando isto era apenas no caso de emergência extrema (que não foi o caso pois evacuaram com tempo).

A situação vivida (e que, de novo, ainda se vive) já foi intensa que chegue para a Nova Zelândia. Não há necessidade de a tornar mais intensa com coisas que não são verdade.

A última actualização é que um rio ficou completamente bloqueado por uma derrocada de uma escarpa e por causa disso o rio agora está a transbordar e inundar tudo à volta (que nem uma barragem).

Fonte: foto de Stuff.co.nz
A Nova Zelândia continua a ser um país fantástico. Não retiro uma linha a tudo de bom que digo do país. Apenas temos de esperar que a sorte esteja do nosso lado quando algo assim acontece e, tal como disse anteriormente, tomar as devida precauções.

De resto é só aproveitar "o paraíso" e saber lidar com estes "pequenos" contratempos. Nem sempre é fácil, mas continuo a achar que vale a pena. Nem por um segundo, pelo menos desta vez, pensei em sair daqui.

quinta-feira, novembro 03, 2016

A ignorância informada em Portugal... (Terramotos)

Durante este fim de semana estive a rever o stock de emergência da nossa casa. Verifiquei a validade da comida para emergência, troquei os garrafões com cerca de 30 litros de água por água nova e armazenada num lugar escuro. Tenho o dinheiro para emergência, rádio a pilhas e várias lanternas em casa inclusive algumas das coisas a funcionar à manivela.



Faço isto porque faz parte do que nos é várias vezes recomendado. Ainda é normal fazermos exercícios de evacuações de emergência dos prédios (em que todos fazem mesmo) e ao entrar em qualquer edifício público é sempre comunicado todas as saídas de emergência.

O último terramoto que me lembro de ter sentido foi no dia dos namorados, a 14 de Fevereiro, quase um ano. A memória dos terramotos constantes começa-se a dissipar, mas estas rotinas não se dissipam.

Depois deste meu fim de semana, onde dispensei uma hora para me organizar estas coisas, houve mais um terramoto em Itália, e foi aí que percebi a ignorância que se vive em Portugal. E não estou a dizer que eu não partilhava desta ignorância até me ter mudado para este lado.

Vi vários comentários de pessoas, ao se mencionar que semelhante não aconteceria em Lisboa, que Portugal desde o terramoto de 1755 está preparado. Que as "pessoas sabem o que fazer". Mas a realidade é que acho impossível estar-se mais longe da verdade. E muitas pessoas não tem sequer noção disso. (ainda procurei aqui um comentário que li de alguém que dizia Lisboa foi construída de forma completamente segura a partir de 1755)

Apesar de algumas vozes a dar os diversos avisos relativamente a este assunto,  artigos como este parecem cair no esquecimento da maioria prefere debater política externa ou quem ficou no Casa dos Segredos.

A Nova Zelândia tem pouco mais risco de terramotos que Lisboa, no entanto muitos me perguntam como consigo viver num lugar onde o risco de terramoto é tão grande. Sinceramente sinto-me mais seguro aqui para o caso de terramoto que em Lisboa. O risco é o mesmo mas é um local mais preparado. A acontecer algo grave, estou sujeito, mas tentamos prevenir, no que é possível, as consequências, já que o terramoto não se consegue prevenir.

Se o que estou a escrever não faz sentido, e para quem vive de Lisboa para sul, façam o seguinte exercício:

Imaginem que amanhã há um terramoto (o de Lisboa até está no período de retorno). Não vai haver electricidade e água durante 4 dias. Obviamente os supermercados vão estar fechados, cada um vai tentar tomar conta dos seus (fora as equipas de resgate). A acrescentar a isto não há multibanco e não há gasolina para os carros.
  • Para quantos dias tem comida para a família toda?
  • E para os bebés em particular?
  • Tem pelo menos 3 litros de água por dia por pessoa?
  • Como vão cozinhar durante este tempo?
  • Como vão comunicar e saber notícias? E para onde se vão evacuar?
Nota que nada disto são ideias minhas,  vejam esta lista a título de exemplo.

Isto assumindo que os prédios se aguentam. E sinceramente é aqui que acho que tudo vai falhar.
Depois de ver a construção daqui, de como é focada na construção anti-sísmica, e sabendo de como se constrói em Portugal, onde o que interessa é o mais bonito e barato e se passa um pano por cima da segurança, principalmente daquilo que não vai acontecer e ninguém vai saber que foi feito de maneira ligeiramente diferente daquela que as normas dizem, acredito que muitos vão ser os edifícios a cair e onde vão ser causadas as maiores casualidades.

A somar a isto tudo o pânico vai-se se instalar pela falta de preparação. Posso dizer que quando senti o meu primeiro terramoto, e por muito fraco que tenha sido, há uns primeiros segundos sem se saber o que fazer. Eu estava na minha primeira semana aqui. Hoje acho que consigo reagir muito melhor do que nesse dia, mas tenho a certeza que até aqui, com todo o treino, é uma sensação de insegurança. Imaginem nunca ter pensado sequer sobre o assunto.

Hoje entro num prédio de grandes proporções (teatro por exemplo), e por segundos, instintivamente, vejo sempre onde são as saídas de emergência, onde há riscos e só depois continuo. Quantos o fazem em Portugal?

Este outro artigo tem um vídeo interessante no fim sobre o último terramoto em Lisboa.


Eu não estou a dizer para se viver com medo constante de um terramoto. Não se vive assim, falo por experiência própria. Encaro o medo de viver com terramotos da mesma forma que encaro o risco de conduzir na estrada. Tenho cuidado, e por vezes cuidados especiais, porque sei que há coisas que não consigo controlar. Não deixo de conduzir com prazer, mas também não deixo de ter cuidado.

Com os terramotos é a mesma coisa.

Em Lisboa, tem os vossos kits de emergência? Quando constroem uma casa preocupam-se mais com a cor no exterior ou com o risco de colapso em caso de terramoto? Como controlam isso?

Todas as pessoas sabem o que é um terramoto e um tsunami.
De novo, muitas me perguntaram se não me sinto seguro aqui na Nova Zelândia. Agora pergunto eu:
  • Alguma vez pensaram o quão preparados para um terramoto estão em Lisboa se acontecesse amanhã? 
  • Não é isto uma ignorância informada? 
  • Acham mesmo que Lisboa está segura?
p.s.:
Já depois de ter escrito isto, e enquanto partilhava este texto no Facebook, o João R. lembrou que em Portugal muitos seguros não cobrem estragos causados por terramotos. Está naquelas linhas muito pequenas dos contractos (pelo menos a nossa casa em Portugal lembro-me de ter isso).
Aqui as seguradores são obrigadas a cobrir por lei. Em Portugal, em caso de terramoto e das seguradas se "esquivarem" de pagar, imaginem o quanto as pessoas serão afectadas. Se aqui com seguros a cobrirem houve imensas histórias (muito tristes) dignas de um livro por causa das seguradoras, imaginem havendo as letras pequenas nos contratos que as ilibam de tudo. Por isso uma última pergunta:

  • O vosso seguro de casa cobre terramotos?