sexta-feira, agosto 26, 2016

Perigos reais da Nova Zelândia...

Para mim, uma das grandes diferenças da Nova Zelândia para a Europa e América do Norte é que aqui cada um é responsável por si (realmente responsável pelos seus próprios actos). Não esperem um segurança em cada caminho de entrada na montanha a dizer que hoje podes ou não entrar e qual o melhor caminho a seguir. E não esperem processar alguém se se aleijarem neste caminho ou naquela travessia porque não havia indicações de quando ir ou por onde ir.

Não estou a dizer que estas indicações não existem, pelo contrário, existem e são bem claras, mas cada um tem de se tratar de informar, fazer o trabalho de casa, saber que autoridades tem que informar e que medidas tem de tomar para fazer o percurso de forma seguro.

Desde que cá vivemos, por diversas vezes já fomos confrontados com notícias de turistas que morrem ou perdem a tentar fazer coisas para as quais não estão preparados. Não estou a dizer que acidentes não acontecem, há sempre acidentes e acontecem a todos, mas por demasiadas vezes parece-me ingenuidade de quem se aventura por este país sem o conhecer.

A título de exemplo, nós por diversas vezes já nos aventuramos por zonas mais remotas, mas não sem antes deixarmos uma mensagem a alguém a dizer por onde nos vamos meter. Inclusive já chegamos a chegar a um ponto que não tínhamos a ideia que seria considerado "remoto" e nesse momento (antes de perdermos acesso a meios de comunicação) telefonar a alguém e dizer para onde estávamos a entrar (mesmo que de carro) e que deveríamos voltar à civilização em x horas.

Estou a falar nisto tudo agora porque esta semana houve mais um acidente trágico e que podia ser ainda mais trágico (não fosse muita sorte e capacidade de sobrevivência). Este acidente chegou às notícias de todo mundo, inclusive Portugal (ver aqui notícia em Português).
Um casal checo resolver fazer umas das "grandes caminhadas" do país (que também faz parte dos meus planos), mas resolveu fazer no Inverno, numa altura em que tivemos tempestades de neve na ilha, sem avisar aos autoridades (que é altamente recomendado fazer, mas, de novo, não é obrigatório) e sem levar um aparelho de localização (também recomendado em todas as caminhadas por esta zona e fornecido pelas autoridades).

O resultado foi o pior cenário: com a altura da neve deixaram de conseguir ver o caminho ao fim do segundo dia, perderam-se e caíram no zona onde já estavam completamente fora do percurso. O rapaz morreu no local e a rapariga conseguiu, depois de dormir três noite ao relento no meio da neve, atingir uma das várias cabanas de apoio no meio da montanha (que tem comida lá dentro para as emergências). Acabou por ficar praticamente um mês nesse cabana, sozinha, no meio da montanha sem ninguém a ir resgatar (porque não sabiam que eles estavam lá). Por causa das condições meteorológicas mais ninguém se aventurou a fazer a caminhada logo ninguém a encontrava.

Acredito que ninguém se arrepende mais da sua decisão do que agora ela. No entanto é uma história que vejo repetir-se demasiadas vezes: a falta de atenção para os perigos do país. Acidentes graves nas caminhadas acontecem, mas este em particular podia ter sido minimizado (os resgates normalmente acontecem ao fim de um ou dois dias) ou completamente evitados (se tivessem falado com as autoridades eles iriam lhes dizer que eles não conseguiam fazer o percurso naquelas condições).

Para os que percebem Inglês, fica aqui um pouco da história contada na primeira pessoa.

Para os que querem aproveitar a Nova Zelândia, acredito que a beleza da natureza do país vale alguns pequenos riscos (até nós às vezes os corremos) mas as loucuras são perfeitamente evitáveis. Por exemplo, avaliamos sempre o que somos capazes de fazer, dependendo das condições meteorológicas evitámos certas zonas da ilha e temos sempre um ou dois planos alternativos. Ainda informamos alguém de onde vamos, se houver risco de ficarmos em zonas remotas, para além de carregar sempre roupa e comida para o que der e vier (afinal ninguém está livre de imprevistos ou acidentes).

Ficam aqui são as recomendações das autoridades locais (DOC - Department of Conservation) para aventuras seguras nos "outdoors".


Em resumo, o país é fantástico mas não pensem que não tem perigos. No momento que acharem que é fácil ou que não tem perigo, correm o risco de fazer capa das notícias daqui, nem que seja por mais um resgate de helicóptero a um turista desaparecido por dois dias (que é o que acontece mais vezes e, felizmente, na maior parte das vezes com um final feliz)

quarta-feira, agosto 17, 2016

Férias na Nova Zelândia ao detalhe...

Uma das grandes vantagens de viver na Nova Zelândia comparativamente com ser turista é que nos dá tempo para explorar cada local ao detalhe. Por exemplo, podemos fazer viagens só para ver um local uns dias, enquanto quando se está de férias, por causa das distâncias, ou se tem vários meses para se visitar ou se tem de abdicar de algumas coisas (que é o que normalmente acontece a todos os turistas).

As longas distâncias dão-nos a oportunidade de explorar várias coisas pelo caminho. Assim foi a nossa semana passada.

Este post hoje descreve essa viagem ao detalhe (até com mapas), para perceber o que implicam estas aventuras. Quando é preciso ir mais longe... muitos quilómetros. Para os que chegarem ao fim do post, um bonus...

(os mapas são todos gerados automaticamente pela nossa viagem, não pensem que andei a marcar isto tudo à mão)

Dia 1 - 355,5 km

O primeiro dia teve o ponto alto com as focas bebés a norte de Kaikora. É sempre  bom ver este lugar em diferentes alturas do ano. Vimos cá muitas vezes mas é sempre bom parar mais uma vez.



Dia 2 - 16,9 km + Ferry

Depois de uma dormida em Picton, foi a altura de fazer a passagem de ferry entre a Ilha Sul e Ilha norte. As vistas são fantásticas. O resto do dia foi passado em boa companhia em Wellington. Bom almoço Português...



Dia 3 - 20,1 km

Ao terceiro dia caminhou-se pela capital. Foi dia de visitar novamente o Te Papa (Museu da Nova Zelândia e a fantástica exposição da primeira Guerra Mundial. Ainda deu tempo para antes visitarmos a sede da empresa que produziu grande parte das cenas do Senhores dos Anéis.




Dia 4 - 394,4 km

No dia da viagem com mais quilómetros de estrada, e rumo a Napier, fizemos um desvio por Taumata... bem o nome é um pouco mais comprido. Afinal é o local com o nome mais comprido do mundo...


Dia 5 - 41,1 km

Ao quinto dia finalmente começamos a exploramos Napier, a capital Art Deco do mundo. Pelo menos assim se auto-denominam visto ser a cidade com a arquitectura mais uniforme em termos de ArtDeco no mundo. São mesmo imensos edifícios, visto serem sido todos construídos na mesma altura devido a um terramoto.

Dia 6 - 70,9 km

Ao sétimo dia tivemos uma agradável surpresa com Hastings (mesmo ao lado de Napier). Ninguém fala tanto como Napier mas o estilo ArtDeco também está muito presente e é uma cidade mesmo muito simpática e bonita. Ainda de referir uma bela vista sobre a baía de uma colina ou pouco a sul.


Dia 7 - 328 km

E como tudo tem um fim ao sétimo dia foi altura de começar a regressar a casa. Com alguns desvios para aproveitar a paisagem.


Dia 8 - 339,5 km + Ferry

O último dia... foi o regresso à Ilha Sul, com viagem directa para casa. Ainda tivemos direito a ver a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos no Ferry e com o regresso a casa voltámos a nos encontrar com a nossa amiga neve, mesmo ao nível do mar. Fresquinho, fresquinho...


E como os mapas com os detalhes todos (até onde o carro parou ou desligou o motor) e as fotos muitas vezes não são suficientes para descrever estas viagens, fica aqui um dos muitos vídeos feitos para partilhar a viagem com a família e amigos mais próximos.


Já agora, as dormidas foram todas em AirBnB...