terça-feira, setembro 29, 2015

Bandeira... TPPA... E Democracia...

Já escrevi aqui bastante acerca da possível troca da bandeira da Nova Zelândia. Digo possível porque apesar de tudo que vou escrever acho pouco provável (embora eu vá votar pela troca, não fosse eu contra a Union Jack na bandeira de um país independente).

É curioso ver como as pessoas aqui se conseguem organizar e manifestar e ter alguns frutos.
Da última vez que escrevi sobre a bandeira disse que havia quatro finalistas:


Na realidade destas a única que para mim escapava era a primeira (canto superior esquerdo) e mesmo assim não era nada do outro mundo. O que mais me chocou é a escolha de duas bandeiras iguais (só com um cor diferente) e um terceira quase igual nas escolhas que vão a referendo. Quase não dar escolha às pessoas.

Tal como eu várias pessoas se queixaram e alguns sugeriram que fosse aceite uma quinta bandeira, a Red Peak:


Basicamente esta bandeira significa a tradição Maori, as montanhas e o céu de noite e de dia.
Eu pessoalmente gosto de imaginar esta bandeira da seguinte maneira:


E a verdade é que depois de uma campanha que se fez notar sobretudo online e nos meios de comunicação social esta bandeira foi aceite para ser votada no referendo, mesmo sendo assumido que o Primeiro Ministro prefere uma das bandeiras com o Silver Fern (as três que são quase iguais).

Claro que a democracia aqui vive no seu esplendor e se houve pessoas e já fazerem montagens com a Red Peak como nova bandeira (como neste caso com a Air New Zealand)...


... também surgiram pessoas a descobrir o lado negro da bandeira (como neste debate no parlamento em que um deputado criticou a inclusão da nova bandeira porque dava para fazer um cruz suástica com ela... e haja imaginação)...


Mas se estas discussões são um pouco fúteis e realmente mudar a bandeira não vai mudar nada no país, outro assunto que cada vez mais se discute nas ruas é o TPPA (Trans Pacific Partnership Agreement).
Este acordo ainda não está assinado e é tudo menos claro o que envolve ao certo. Apenas que incluirá vários países e que as condições não são claras. Muitos temem que a economia da Nova Zelândia fique prisioneira da de outros países como os Estados Unidos da América e sobretudo das suas grandes empresas.
Sinceramente, por todo este secretismo do acordo, também acredito que não traga nada de bom para estes lados (apenas muito dinheiro para empresas estrangeiras).


Seja como for a população vai reagindo com protestos, não porque lhe estão a mexer no bolso agora mas porque estão preocupados com o futuro do país. E isto é uma das coisas que admiro na democracia deste país, pelo menos comparado com Portugal.





segunda-feira, setembro 28, 2015

Um banal fim de semana...

A nossa sociedade está organizada de uma forma tal em que o fim de semana é altura de descanso, lazer e convívio (ao contrário da semana). Não sei se o ser humano faz bem em agir desta forma, afinal na natureza não se vê mais nenhum animal com este comportamento. Por vezes pode levar a rotinas e tornar a vida menos colorida, mas isso seria uma conversa demasiado existencial para este blog.

Aqui tento mostrar as diferenças entre os países, mas na realidade acabo por mostrar as diferenças nas nossas vidas.
Quando estamos perto da família tendemos a passar mais deste tempo com a família nos horas mais vazias.
Embora nós sempre tivéssemos as nossas escadinhas de fim de semana também visitávamos bastante a família e íamos estando com aqueles de quem somos mais próximos.

Na Nova Zelândia os fins de semanas são sempre só nossos. Às vezes mais ocupados e com vida mais social outras vezes totalmente por nossa conta.
Normalmente escrevo sobre os grandes fins de semana (embora não escreva sobre todos; alguns muito bons não tem direita a entrada neste blog) mas é raro escrever ou sobre as nossas companhias (acontece, mas normalmente só em ocasiões especiais) ou sobre os fins de semana mais "normais".

Este foi um desses fim de semana:
Na agenda social apenas estava um aniversário de um amigo no sábado à noite (leia-se 18:30) e o aniversário de casamento.
Então o que fazemos quando estamos longe da família num fim de semana que podia ser outro qualquer?

No Sábado era aniversário de casamento e por isso resolvemos ir a pé ao restaurante onde celebramos os nossos eventos pessoais, o Strawberry Fare, que por acaso fica 10 minutos a pé de nossa casa. Por essa razão o carro ficou "de castigo em casa". Isto foi o nosso "brunch", que é a mistura do "breakfast" (pequeno-almoço) com o lunch (almoço).


Para continuar a caminhada, nada como um passeio no parque, que já não é ao lado de nossa casa desde que nos mudamos, mas fica a doze minutos a pé na mesma direção do restaurante, por isso, a dois minutos a pé do restaurante. Foi uma boa altura para ver de perto as cerejeiras que todos os dias vemos a passar de carro pelo meio do parque e da Sofia correr livremente.



Ainda com o carro sem sair de casa, ou seja ainda a andar a pé, a tarde deu-nos oportunidade para ir ver o "Extravaganza", uma espécie de festival hippie que anda de cidade em cidade com umas caravanas no mínimo originais.
O aniversário que se seguiu teve a curiosidade de todos falarem Português, mas nós sermos os únicos Portugueses: todos os outros eram Brasileiros visto o aniversariante ser um amigo nosso do Brasil. Ainda nas curiosidades, a funcionária que nos atendeu em primeiro lugar era uma Croata que fez Erasmus em Portugal (Universidade de Aveiro) e a segunda tinha o namorado Brasileiro.
(nota: nunca pensem que estão safos por falar Português e que ninguém vos vai perceber)




O Domingo para nós é sempre mais dedicado à família, nem que seja a nossa família de três.
É sempre dia de refeição especial (instituímos isso desde que nos mudámos para cá, e não pode falhar a não ser que haja algum outro evento social ou viagem maior) e por isso houve "lamb" (cordeiro) no forno. Ainda é o dia de se falar mais no Skype para Portugal.

A seguir havia que queimar as calorias e por isso fomos fazer mais um "track" (caminhada). Os nossos destinos favoritos quando não saímos da cidade (como neste fim de semana) são normalmente as colinas. É um desafio maior pois há sempre muito que subir e aumenta o interesse. O facto das vistas serem boas ajuda sempre. Algumas fotos do nosso passeio.



Ao chegar ao topo há sempre o bonus de ver o outro lado das colinas, que eu tenho sempre um gosto especial em apreciar.


Depois restabelecemos forças (como a Sofia na foto) e descemos, o que normalmente é mais fácil. Desta vez o tempo de subida foram 40 minutos e de descida 28 minutos. Considerado que o tempo estimado para a subida eram de 45 minutos até correu bem. A paisagem (podem ver nas fotos), como sempre por estes lados, é interessante, agora o vento estava mais forte do que planeado.


No final do dia há um momento de relaxe. A Sofia ao ver o pai sentado a ler foi buscar um dos seus livros e sentou-se ao lado também a ler. Bem, ela ficou como se tivesse a ler, mas ainda só é boa a apontar para o livro...

São fins de semana normais. Às vezes estamos mais com amigos, outras vezes precisamos do nosso canto. Depois há uns em que parece que temos todos os segundos ocupados para estar com todos e outros em que simplesmente não há nada marcado e por isso fazemos destas coisas.

Acho que mesmo em Portugal todos podem escrever ou ter destes fins de semana "normais". Não é nada de especial mas às vezes também é bom ver o que é o "nada de especial" dos outros. Este é o nosso e foi um post de partilhar estes nossos momentos.

Como nota final: estamos agora com 12 horas de diferença para Portugal por isso é muito fácil fazer contas aos fusos horários. Quando em Portugal é meio dia, aqui é meia noite... 

quinta-feira, setembro 24, 2015

BYO e diferenças culturais: Nova Zelândia VS Portugal VS França

Há uns anos atrás organizei uma viagem de uma semana à neve com alguns amigos.
Destino: Serre Chevalier (França).
Não foi a primeira vez que fomos a essa estância mas, como dessa vez fui eu a organizar, conhecia todos do nosso grupo de 10. Entre as diversas nacionalidades tínhamos representantes dos Países Baixos, Polónia, Canada, Arábia Saudita, Alemanha e, obviamente Portugal (todos meus amigos de fases diferentes da minha vida).

Na véspera de virmos embora uma amiga que estava no nosso grupo celebrou o seu aniversário e resolvemos lhe fazer uma surpresa: Ir jantar a um restaurante numa das aldeias perto da estância (isto no meio dos Alpes) - com direito a bolo e prendas. Tudo normal até ao momento em que pedimos para saber se guardavam o bolo que tínhamos comprado no frigorífico para depois cantar os parabéns. Ficaram super ofendidos por pedirmos isso (e numa forma bem Francesa de falar quase nos insultaram, aos dois que fizemos esse pedido, porque por causa daquele bolo não iríamos comer as sobremesas deles - como se o lucro que lhe estávamos a dar numa diversa e cara refeição não fosse suficiente. Nota a comida era cara mas muito boa, temos de lhe dar isso).

No final "usamos" o bolo para cantar os parabéns, sem estar autorizados para o comer (eram mesmo assim as condições deles). Não me lembro se alguém pediu sobremesa ou não e num bom espírito de férias fomos continuar a nossa festa e comer o nosso bolo para outro lado (sem problema nenhum).

A conversa com os meus amigos nesta altura caiu para as diferenças culturais entre os países até para as coisas mais simples. Para os Portugueses é super normal levar um bolo e pedir para guardar para celebrar o aniversário no fim caso o estabelecimento não tenha bolos (como era o caso).
Ao longo da minha vida fiz várias vezes.
Dependendo das nacionalidades dos meus amigos naquela viagem, uns achavam mais normal que outros (embora ninguém tenha gostado do nariz empinado dos Franceses na sua resposta) o facto de se levar o bolo.

Porque me lembrei de contar isto agora?
Às vezes temos mesmo de saber lidar com as diferenças culturais e aceitá-las.
Se em Portugal alguém se lembrar de levar as suas garrafas de vinho ou refrigerante para um restaurante acho que é corrido a pontapé do restaurante, afinal está a tirar o lucro ao restaurante na venda dessas bebidas.
E aí é o momento que estou a imaginar um Kiwi a chegar a Portugal que (tal como nós em França) não faz a minima ideia da cultura do país com as sua garrafa de vinho para o restaurante e ser insultado pelo dono.

É que na Nova Zelândia (e tanto quanto sei Austrália, corrijam-me se estiver enganado) é super normal as pessoas levarem as sua bebidas para o restaurante. Isto em todo o tipo de restaurantes, desde os mais finos (e caros) até aos mais baratos.
O conceito chama-se BYO (Bring Your Own) e tem mesmo um formato legal no país. E o mais interessante é que a maior parte dos restaurantes tem essa licença (ou seja, é um local onde se pode consumir álcool que se traz de casa) e tem avisos na porta. Eu diria mesmo que quase todos os restaurantes onde já estive tem isto.

No inicio, quando começamos a ver achávamos muito estranho: as pessoas entravam com bebidas que traziam mesmo no restaurantes mais "pipis". Hoje em dia, tal como em muitas outras coisas: NORMAL

A licença para BYO não autoriza a venda de bebidas alcoólicas no estabelecimento. Para isso os restaurantes preciso de ser "fully licensed". Assim alguns restaurantes não só não vendem estas bebidas como encorajam que as pessoas levem as suas bebidas (o que lhes sai mais barato).
Para os clientes/consumidores, como as bebidas podem ser compradas em diversos sítios, também lhes sai sempre mais barato (sim a malta gosta de comprar as suas bebidas antes de sair ou ir para qualquer lugar).

Como nota especial, em qualquer restaurante a água é sempre servida na mesa sem pagar. Basta dizer que se vai beber água e vem as canecas ou garrafas para a mesa. Ninguém compra água engarrafada, isso "é só para os turistas" que não sabem o que andam a fazer.

Ficam aqui umas fotos do nosso bolo no restaurante e o nosso bolo a ser comido. Na última foto vê-se (mal) uma festa que vimos num restaurante onde os convidados estão todos a trazer as suas bebidas, o que me inspirou para escrever aqui este texto:



Eu sei que não se vê muito nesta foto, mas as garrafas estão ali
e não queria dar muitos nas vistas a tirar esta foto.





segunda-feira, setembro 14, 2015

Marcar férias "neste" lado do mundo...

Viajar, conhecer o mundo ou conhecer o que está mesmo ao nosso lado, faz parte de quem somos.

E para nós viajar sempre teve de ter um espírito de aventura e improviso à mistura. A nossa primeira saída como casal foi uma viagem de cerca de um mês, pela Europa, a fazer Interrail onde íamos marcando as dormidas à medida que chegávamos aos locais. Visitamos seis países e passamos por dez.

De forma geral evitámos sempre as férias cliché e os locais de turismo em massa. Em vez disso optamos por conhecer os locais de uma forma mais diferente/genuína: fizemos praia nas zonas mais remotas da Sardenha (Itália), andámos de comboio de terceiríssima classe na Tailândia para chegar a Ayutthaya, ficamos em riads em Marrakech (Marrocos), fomos dar de comer aos cervos de Nara e comprar peixe ao mercado de Tóquio (Japão). Até fomos conhecer o Ontário (Canadá) remoto fazendo compras num mercado Amish onde devíamos ser os únicos estrangeiros a passar ali em n tempo.
Fomos sempre felizardos nas nossas aventuras e o facto de ter amigos um pouco por todo lado também ajudou a escolher melhor os destinos. Seria impossível fazer um churrasco no topo de um prédio em Nova York (EUA) se assim não fosse, ou conhecer as melhores tascas de Roma (Itália) para um excelente almoço.

Até nos mudarmos para este lado sempre planeamos as nossas férias com aquilo que consideramos alguma antecedência (um ou dois meses) mas muitas vezes na véspera é que planeamos o dia seguinte. Tinha de ser visto sermos nós a organizar tudo. Por um lado dá trabalho por outro dá-nos imensa liberdade.

Desde a mudança para cá, e sempre que planeamos conhecer melhor a Nova Zelândia, Austrália e ilhas do Pacífico... TUDO MUDOU. Aqui planeia-se tudo com a "verdadeira" antecedência.

Quando em 2013 começamos a planear a viagem de final de ano na Austrália resolvemos fazer as coisas com "muita antecedência" (ou assim pensamos nós) visto que íamos fazer passar o dia passagem de ano em Sydney. Quando começamos a tratar das férias em Junho, já estava quase tudo esgotado, e a cada dia que passava as coisas restantes ficavam mais caras.
Assim aprendemos a primeira lição de algo que agora sabemos da cultura de cá. As férias marcam-se com um ano de antecedência, ou mais tardar oito meses de antecedência, senão só se vai ter mesmo os restos que ou são fracos ou são caros. Isto é especialmente crítico no Verão de cá (Dezembro / Janeiro) ou no Inverno (Julho / Agosto) porque toda a gente quer ir para destinos mais quentes.

Mesmo para reservar um ferry para passar da Ilha Sul para a Ilha Norte (e vice-versa) durante as épocas altas tem de ser feito com muito antecedência.

Na realidade, hoje em dia, às vezes temos cuidado em fazer tudo a tempo: reservar o vôo para sair da ilha (quando necessário) e reservar dormidas (alugámos uma casa para parte da viagem com os nossos pais com 7 meses de antecedência). Mas às vezes, como bons Portugueses, deixámos para a última e é aí que as complicações surgem. Desta vez o atraso foi porque o destino era o Parque Nacional de Kahurangi, que não é tão longe de nossa casa quanto isso e por isso fomos deixando andar. Resultado: Foi terrível arranjar dormida (felizmente o facto de conhecer bem a ilha ajudou) apesar da viagem ser de carro e serem só 5 dias.

Por essa razão resolvemos começar a tratar das férias para Agosto de 2016 (que têm o destino já mais ou menos traçado e devem ser passadas nas ilhas do Pacífico). O incrível é que no Tonga (um dos destinos mais prováveis para a nossa viagem) já conseguimos ter vários locais esgotados nos sítios que queremos (que são nas ilhas mais remotas) mesmo com 11 meses de antecedência. Outros destinos que poderemos fazer na mesma viagem incluem Fiji, Cook Islands e Tahiti (estamos longe de tudo mas pelo menos temos estes vizinhos simpáticos).

Assim fica a minha sugestão a quem marca férias deste lado do mundo:
Pensem com antecedência onde querem ir e considerem que viagens de avião, passagens de ferry, aluguer de carros ou caravanas e sobretudo dormidas tem de ser mercadas com muita antecedência.
O que normalmente resulta noutros locais do mundo por aqui não resulta tão facilmente. Nota: as caravanas costumam dar uma liberdade especial sem ter de se preocupar com dormidas, mas é preciso também as reservar a tempo.

De resto é possível viajar com bebés e crianças e aproveitar (a nossa experiência assim o diz).

Ficam aqui umas fotos do que se pode visitar por estes lados. São alguns dos locais que tivemos de planear com um bocado de tempo embora também eles tivessem muito de improviso. Note-se que andamos sempre com mantimentos no carro para uns dias, mesmo quando não planeamos dormir em campismo, inclusive noutros países (excepção feita para uma das viagens no meio do nada da Austrália que chegamos à noite sem comida, sem jantar e sem ter onde comprar... encontramos algo às 20h50, mesmo antes da última loja da cidade fechar às 21h00).

Vale a pena visitar o Pacífico Sul... isto são alguns dos nossos momentos...


Paradise, Queenstown, New Zealand
Wellington, New Zealand
Auckland, New Zealand
Somewhere in the middle of New South Wales, Australia
Somewhere in the middle of Victoria, Australia
Lakes Entrance, Australia
Melbourne, Australia
Melbourne, Australia
Great Ocean Road, Australia
Great Ocean Road, Australia
Koalas in somewhere along the road, Australia
Twelve Apostles, Australia 
Opera, Sydney, Australia
Opera (again), Sydney, Australia
Pacific Ocean, New Zealand
Catlins, New Zealand
Catlins, New Zealand
Catlins, New Zealand
Fiordland, New Zealand
Milford Sound, New Zealand
Fiordland, New Zealand
Mount Cook, New Zealand

quarta-feira, setembro 09, 2015

Portugal ou Nova Zelândia?

Numa altura em que na Internet andam todos a discutir a discutir refugiados ou migrantes resolvi escrever o meu post "da escolha de um país para se viver".

Quem decide mudar faz isso porque procura algo melhor ou diferente e por essa razão deve se integrar na nova sociedade para onde se muda e adaptar-se aos seus costumes (não perdendo a sua própria identidade). Acima de tudo respeitar a sua nova sociedade como ela é.

Isso não quer dizer que se goste de tudo mesmo que nos sintamos melhores no total.
Este é o momento que reforço a comparação entre Portugal e Nova Zelândia.

Estivemos dois anos sem visitar Portugal. Quando chega a esse tempo já só nos lembramos das coisas muito boas e as más nem existiam. Já sabíamos desse esquecimento por isso "lutamos com ele". Ainda assim há sempre as desilusões que apanhamos à mistura com as recordações que eram verdadeiras. Vamos a isto... o sentimento na chegada a Portugal:
O lixo e a sujidade nas ruas: quando cheguei ao Porto comentei as ruas estavam muito sujas e cheias de lixo. Perguntei o que tinha acontecido e a resposta foi que "sempre foi assim, estão iguais" e ainda perguntaram "Onde está a diferença? Se calhar até estão mais limpas". Com o tempo apercebi-me que tinham razão, nada mudou, mas acabado de aterrar de Singapura, onde tudo é imaculado, e vindo da Nova Zelândia, que apesar de todas as obras é muito mais limpo, saltou de imediato à vista.
+ As temperaturas: Já não me lembrava o que era ter um mês todo quente. De calções e t-shirt o tempo todo. Numa semana perfeita no Verão da Nova Zelândia temos 3 dias assim quentes ao ponto de eu estar feliz com a temperatura.
- O caos nas estradas: A foto abaixo não existe na Nova Zelândia. Quando se vê um carro mal estacionado, é aquela excepção no ano. No Porto, cada rua tinha dezenas. O "Chico espertismo" dos condutores que furam, metem e fazem as manobras mais inacreditáveis. O mais assustador é que é tão natural que ao fim de alguns dias já o via como normal novamente. Por cá eles são uns condutores de domingo mas não se vê nada disto, e acreditem que é bom.


+ A comida: Portugal dá 5-2 à Nova Zelândia, e o "2" são as várias comidas Asiáticas que se vende por cá, se não era 5-0.
- A qualidade de vida (no trabalho): Fora algumas excepções (fico feliz por conhecer algumas na minha área de trabalho) ainda me parece que se acredita no trabalhar muito e não no trabalhar bem. Horas é o que conta. Salários completamente ridículos para pessoas com formação superior (e não só) desajustados de uma economia "global".
+ A qualidade de vida (em férias de Verão): ir a uma esplanada, sair à noite, ir à praia, andar numa marginal... ainda não encontrei igual na Nova Zelândia. Este ano no Verão vamos pela primeira vez para o "Algarve" aqui do sítio, mas não acho que seja a mesma coisa.
- O consumismo: Com salários muito mais baixos consome-se muito mais que na Nova Zelândia. Não percebo como. Todas as lojas caras e sempre cheias e com pessoas sempre a comprar. Tudo sempre do melhor e do mais recente. Um exemplo: na NZ não conheço uma pessoa que tenha comprado um carro novo. Em Portugal conhecia uma ou duas pessoas que tenham comprado um carro usado.
+ Brinquedos e roupas para as crianças: o consumismo é mau numa sociedade sem dinheiro, mas na NZ mesmo com dinheiro não se consegue comprar algumas coisas, porque como não há procura não há oferta. Quando se tem uma criança e se quer dar alguma prenda especial é complicado. Ir a um shopping no Porto é uma perdição. Com lojas Disney e afins dou graças por não estar lá e perder a cabeça, mas que às vezes é bom encontrar assim coisas para se dar a uma criança, é.

Depois há muitas coisas que nos remetem ao coração, principalmente a família e alguns amigos.
Dói não poder estar com aqueles que gostamos, mas sinceramente, PARA NÓS, NESTA FASE DA NOSSA VIDA (a trabalhar com um emprego sólido e com uma criança), a escolha é a Nova Zelândia, com Portugal no coração, com o desejo de ficar mais perto (portanto, qualquer outro lugar do mundo poderia ser uma alternativa) mas com a noção que sendo feliz aqui, a curto prazo é para ficar e a médio prazo... logo se vê.

... a longo prazo o mais certo é não estar cá.


segunda-feira, setembro 07, 2015

STOP and GO...

O blog parou durante mais de um mês.

Uma viagem de cinco semanas fora da Nova Zelândia, principalmente para ver a família, um regresso directo para o trabalho e muitas actividades pendentes fez a escrita passar para segundo plano.

Tenho muito que escrever, desde a comparação entre a Nova Zelândia e Portugal depois de quase três anos a viver fora e dois sem visitar o país onde nascemos, a primeira grande viagem da Sofia, a comida, os amigos, o regresso à vida normal... é um infindável número de temas que podia (e vou) abordar.

Decidi não escrever tudo de uma vez e ir escrevendo com tempo. Voltar atrás e reviver aos poucos em cada um destes assuntos à medida que escrevo faz prolongar o prazer que nos dão.

São as velhas aventuras e reencontros com velhos amigos feitos em novos formatos, o muito a contar de viajar com alguém que diz olá a toda a gente na rua e deliciosa comida de Portugal (não que tenha comido muito mas deu para matar saudades)...
Fica as três primeiras fotos destes três temas...



Sim, esta é a francesinha do Santiago..