domingo, maio 31, 2015

Um dia a casa vai abaixo...

Há dias em que tudo acontece por estes lados...

Este Domingo foi um dia particularmente cheio de actividade aqui na cidade.
Com a perspectiva (sempre boa) de na Segunda-Feira ser feriado, tivemos uma maratona que se realizou no centro cidade (nos semáforos em vez de nos cruzarmos com carros era com os corredores) e tivemos a Seleção de Portugal de sub-20 a jogar neste lado do mundo (jogo em Hamilton - Ilha Norte), o que fez que desse para assistir ao jogo em directo, desta vez na TV, sem ter de madrugar.

Apesar da nossa tarde ter sido passada um pouco fora do centro da cidade, o ponto alto do dia foi a implosão do antigo edifício da Polícia. Para mim com o significado especial de ter sido o primeiro edifício onde já tinha estado (quando chegamos a polícia ainda era lá e tivemos de ir lá na primeira semana) a ser demolido desta forma.

Ainda era um edifício que nos servia de referência para nos orientarmos na cidade visto ser um dos mais altos e ser possível vê-lo de diversos pontos da cidade.

Fica aqui um dos videos das centenas que se conseguem encontrar online...

sábado, maio 30, 2015

A "Santa Ignorância" de se ser emigrante...

Antes de contar a história de hoje vou começar por explicar como funciona a recolha de lixo na cidade de Christchurch, a cidade onde vivemos.

Ao contrário de todos os locais onde já vivi até hoje, seja em Portugal ou nos Países Baixos, o lixo doméstico é individual (por casa). Por exemplo, no Porto, a recolha de lixo é feita através contentores na rua (em locais fixos) onde cada pessoa põe o seu lixo doméstico do dia, e que é recolhido ao final desse mesmo dia (com excepção aos fins de semana). Ainda existem diversos locais pelas cidade onde é possível deixar materiais que podem ser reciclados (papel, plástico, metal ou vidro).

Bastante similar com o Porto, em Delft não existia uma recolha diária mas existiam pequenas caixas na rua onde se depositava o lixo, que na realidade eram enormes contentores subterrâneos. Este contentores eram despejados algumas vezes por semana. A reciclagem não era tão eficiente como em Portugal mas era também possível reciclar algumas coisas.

Em ambos os sítios ainda existia a modalidade (hoje em dia obrigatória em alguns sítios, como era em Leça do Balio para nós) dos prédios terem os seus próprios contentores para todos os moradores e onde é feita a recolha do lixo.

Em Christchurch (e que eu saiba na Nova Zelândia, pelo menos Ilha Sul) é totalmente diferente. Cada pessoa é responsável pelo seu lixo e pela sua quantidade. Cada casa ou apartamento tem direito a três contentores pequenos (wheelie bins), um amarelo (para reciclagem), um vermelho (para lixo) e um verde (para orgânicos). Deixo aqui uma imagem para terem uma ideia.


Em cada rua a recolha é feita num dia da semana específico. Por exemplo, na minha rua actual é segunda-feira. Podia-se pensar que recolhiam os três todas as semanas, mas na realidade só o verde é recolhido todas as semanas. O vermelho e amarelo são recolhidos alternadamente (numa semana é o vermelho e noutra o amarelo). Assim o lixo que se produz em 15 dias tem de caber numa contentor vermelho e o mesmo para a reciclagem (com um contentor ligeiramente maior). O material orgânico é recolhido todas as semanas.

COMO FAZER:
Cada pessoa, na véspera do seu dia de recolha, põe os caixotes cheios na rua (verde mais o da cor correspondente) e, na madrugada do dia de recolha, um camião com o braço especial pega nos caixotes, esvazio-os e (se não os fizer voar ou atirar para o chão com estrondo) coloca o caixote gentilmente de novo na rua, desta vez vazio. No mesmo dia a pessoa tem a obrigação de recolher os seus caixotes de volta para casa ou jardim da propriedade (ou para a porta de sua casa, se não for directamente na rua).

Se houver excesso lixo tem de se ir entregar a uma "refuse station", basicamente o sítio onde se entrega o lixo. Para a reciclagem isto é gratuito mas para lixo (orgânico ou não) tem de se pagar.

Ou seja num dia vemos todos os caixotes da mesma cor na rua, e no final desse dia já não está nenhum (a não ser que alguém seja mais preguiçoso e só recolha o seu caixote vazio um ou dois dias depois).

É um modo interessante de fazer recolha de lixo, não me desagrada e fácil de entender.

Voltando à minha história:
Tenho a certeza que quem está a ler isto de certo que já se considera um doutorado em lixo na Nova Zelândia. Agora vamos fazer uma viagem no tempo para a nossa primeira semana na Nova Zelândia, há perto de três anos:

Acabados de aterrar há dois dias e ainda quase sem contacto com Kiwis (demoramos uma semana até começar a trabalhar) ficámos na casa de uma das nossas empresas. Entregaram-nos as chaves e levaram-nos até à casa. Óbvio que ninguém nos explicou aquelas coisas básicas como, o que se faz com o lixo. De novo, o doutorado que está a ler isto agora pergunta-se como é possível nós não sabermos esse básico mas este post ainda não tinha escrito. Assim ao final de dois dias saímos os dois para a rua em busca do contentor para pôr o lixo da casa (nota: os contentores da nossa casa estavam na garagem, a qual só entramos ao fim de 4 dias, depois de comprar o carro).

Andamos por uns minutos pelas ruas da cidade (note-se que Christchurch é quase só moradias), de saco de lixo na mão, e a perguntar (leia-s, reclamar) como era possível não se encontrar um único sítio para se pôr o lixo na cidade até que avistamos um bonito e solitário contentor no meio da rua (vermelho). Felizes com o nosso achado, abrimos o contentor, que estava vazio, e para lá pusemos o nosso lixo dos primeiros dias. Objectivo alcançado.

Só umas semanas depois, já depois de os colegas nos terem explicado como funcionava o sistema do lixo, é que nos lembramos desta nossa "primeira vez". É que não só não usamos um contentor que não era nosso, como o usamos depois da recolha. Ou seja, alguém que se "esqueceu" (preguiça) de recolher o seu contentor no dia (sabemos isso porque estava sozinho na rua). Quando foi buscar o contentor para o levar de volta a casa este já levava lixo outra vezes teve de ficar com ele mais duas semanas. Tenho a certeza que nos deve ter rogado mil e uma pragas e insultado umas quantas vezes (como eu o faria agora se alguém me fizesse o mesmo).

Quando falam em emigrantes fala-se de todos os choques culturais e barreiras. Fala-se da lingua, que depois de viver nos Países Baixos sei que pode ser complicado, fala-se da comida, porque aqui e ali não há sequer um bacalhau salgado, ou no nosso caso fala-se da distância.

A mim fascina-me muito mais estas diferenças. Os dados adquiridos que temos na nossa vida e nunca questionámos que noutro lugar são diferentes:
- as marcas que vemos nos supermercados (aqui não temos batatas fritas Lays mas temos as bolachas TimTam, que já não sei viver sem elas),
- os supermercados em si (Continente e Jumbo, Tesco, Albert Heijn e C1000 ou New World e Countdown?);
- o lado em que se conduz;
- a forma como se recolhe o lixo;
- onde se tira um foto para o passaporte (na farmácia);
- como nos cumprimentamos (beijo, abraço, aperto de mão, nada?)

Depois temos aquelas diferenças na natureza que também não estamos à espera. A cor do céu por exemplo, em determinadas alturas do ano, aqui ainda me fascina. E depois há aquelas coisas tão diferentes que nos vamos habituando. Na primeira semana tirei esta foto do Rio Waimakariri, que passa ao lado de Christchurch. Tão diferente de todos os nossos rios em Portugal, mas tão igual a todos os rios aqui da ilha, pelo que é raro agora tirar fotos aos rios. No entanto nunca foi algo que achei que fosse reparar: os aspecto dos rios. Estou certo que um Kiwi que vá a Portugal também irá ficar fascinado com o Douro e no entanto para mim é tão normal.


Emigrar não é só aquela experiência que, para quem vê de fora, é só trabalhar numa empresa estrangeira, a falar em Inglês (no nosso caso) e a fazer uma vida com condições de trabalho diferentes do país de origem (no nosso caso Portugal). Emigrar é um conjunto de mil e uma experiências que não são explicáveis num blog, numa conversa de café ou num encontro anual com os amigos e conhecidos. Muitas fantásticas, outras mais amargas e algumas humilhantes como esta que contei, porque nos apercebemos da nossa ignorância e dos erros que também cometemos para chegarmos onde estamos. Estou certo que se amanhã emigrar parar outros sítio muito recomeça e que quem lê isto no Brasil, no Dubai ou no Qatar teria outras histórias completamente diferentes.

Viver com a mudança faz-nos crescer e ficar diferentes. Faz-nos ver tudo de uma maneira diferente e aceitar tudo como sendo normal e ao mesmo tempo nada como adquirido. Apesar de já ser o terceiro país que vivo, continuo a não me chamar "emigrante", gosto mais de ver a vida como uma aventura, e no entanto apercebo-me que também é isso que nós (emigrantes) vivemos...

domingo, maio 17, 2015

Explorar a Nova Zelândia...

Recentemente, numa entrevista, pediram-me para enviar fotos nossas com monumentos representativos do lugar onde vivemos. Fui incapaz de mandar uma única foto com monumentos porque o que de mais fantástico temos aqui é sem dúvida a natureza, principalmente na nossa ilha.

A natureza é uma das maiores razões pela qual a Nova Zelândia é conhecida a nível mundial. Esta para além dos Hobbits e ovelhas que habitam o país e de ser um país "longínquo" (fica aqui uma citação a um artigo que li hoje num jornal Português que esta frase).

Há várias formas de explorar esta natureza e ao longo destes quase três anos que escrevo no blog já descrevi a muitas delas delas. Das que dão mais a conhecer estes paisagens há duas que fazemos mais: veículo todo-terreno e caminhadas (conhecidas por "tracks").

Para todo terreno encontrei um site (e no qual me registei) que ajuda a escolher os destinos:
http://www.remotemoto.com/
É um site dedicado a motos todo-terreno, mas é de tal forma detalhado que é fácil perceber a dificuldade de ir com um 4x4. Como o meu não faz tudo tudo tenho sempre de ler detalhes, desde a altura dos rios conforme a altura do ano, pontos em que chegando lá podemos não ter passagem, duração do percurso entre outras coisas. Tem vários mapas e para os curiosos recomendo uma visita para terem noção da quantidade de percursos que há no país.

Porém há lugares que os carros não chegam e só mesmo as caminhadas para conseguir visitar estes locais.

O número de percursos é imenso e só a título de exemplo deixo este mapa:
http://nzwalksinfo.co.nz/
Existem bem mais que estes (conheço vários que não estão neste mapa).

A melhor forma é ler as informações no site do governo:
http://www.doc.govt.nz/parks-and-recreation/things-to-do/walking-and-tramping/

Há vários cuidados a ter e várias recomendações a seguir. Muitos destes percursos (inclusive os 4x4 que falei anteriormente) são super afastados das povoações e não há rede de telemóvel para pedir ajuda caso seja necessária.

Temos feito alguns destes percursos mas estamos longe de fazer todos. Tivemos várias condicionantes nos últimos anos (desde uma lesão séria minha, gravidez - essa não foi minha -, Sofia pequena).
Por essa razão, dos "grandes percursos" ainda não fizemos nenhum. São percursos de vários dias que requerem uma boa preparação.

Entretanto temos retomado os nossos treinos e tentado fazer uma caminhada por fim de semana.
Hoje foi o percurso mais perto de nossa casa que temos, no Bottle Lake Forest Park, a cerca de 15 minutos de carro.

Inicialmente planeamos fazer o percurso fechado de apenas de 45 minutos mas enganamos-nos logo na partida e em vez de voltar para trás resolvemos fazer o percurso mais longo desta floresta, de duas horas e pico (uns quantos quilómetros quase non-stop). O objectivo é ir aumentado a distância dos percursos e assim com o tempo fazer percursos mais longos.
Para já ainda não podemos passar os percursos de várias dias mas vamos aumentado a dificuldade de fim de semana para fim de semana (se o tempo ajudar, obviamente).

Algumas fotos do percurso de hoje e a felicidade dos intervenientes no final (depois do elemento mais pequeno do nosso grupo de três ter dormido meia hora do percurso):









quinta-feira, maio 14, 2015

Gritar por Portugal na Nova Zelândia...

Na Nova Zelândia, dentro de algumas semanas, também se vai gritar por Portugal.

Daqui 16 dias e algumas horas vai ter início o Mundial de Sub-20 de Futebol e Portugal vai estar a jogar na Nova Zelândia.

Durante a fase de grupos, dois jogos da nossa seleção vão se realizar na Ilha Norte, mas um vai ser na Ilha Sul e por isso já temos tudo preparado para mais uma visita a Dunedin, ao interessante Forsyth Barr Stadium. O estádio, onde já estive com a família (completa) no ano passado, é totalmente coberto, não fosse um dos estádio mais perto da Antártica a nível mundial. Ainda mais considerando que o jogo vai ser durante o Inverno da Nova Zelândia... fresquinho fresquinho.

Os bilhetes já cá estão... agora só falta preparar a bandeira e apoiar Portugal.


quarta-feira, maio 13, 2015

A carga e a mula...

Dizem que depois de nascer o primeiro filho tudo muda.

Na realidade concordo, tudo muda mesmo, mas muitas vezes acredito que muitos usam isso como desculpa para não fazerem muitas coisas com a sua própria vida (ou com a vida dos próprios filhos): Não sair, não encontrar com amigos, não fazer aventuras....

Se é verdade que ainda não saímos da Nova Zelândia neste primeiro ano da Sofia, também é verdade que já voamos duas vezes para a Ilha Norte e já viajamos milhares de km a continuar a explorar a nossa ilha. Ainda é previsível que, até completar um ano e meio, a Sofia já tenha visitado três continentes e viajado mais de 40.000km de avião.

Não estou a dizer que é fácil. Não é! Requer mais planeamento do que as nossas aventuras anteriores, sair de casa com a mala mais cheia mas o que requer acima de tudo é organização. E temos vários exemplos de amigos a fazer o mesmo (coincidência ou não, a maior parte também é emigrada) por isso também não somos a excepção.

Nestes percursos vamos experimentando várias maneiras de transportar a Sofia nessas aventuras (algumas vezes adaptando à idade, outras à viagem).  Nas caminhadas para locais inacessíveis com o carro ou com o carrinho é necessário que ela venha connosco sem a força dos braços.

Se no início ela ficava virada para nós, a seguir já teve direito a ver o mundo e admirá-lo. Com o passar do tempo o peso foi aumentando foi necessário ir para as costas. Hoje em dia temos uma forma  "mais moderna" de transporte. Ficam aqui algumas fotos da evolução desta simbiose entre a carga (aka Sofia) e a sua mula (aka Pai) nas aventuras a explorar a Nova Zelândia.

O passo seguinte é ela fazer as caminhadas pé dela... já tem treinado muito em casa mas para já vai continuar a usar a mula por uns tempos.





domingo, maio 03, 2015

1 ano de Sofia...

Um ano de Sofia... Podia aqui descrever tudo de bom do nosso primeiro ano como pais, ou do primeiro ano da Sofia, mas o blog não teria outro assunto.

A mudança de casa já nos permite ir recebendo algumas pessoas e a Sofia teve a oportunidade de ter o seu primeiro aniversário celebrado rodeada de alguns amigos.

Muita comida caseira, quase tudo cozinhado pela mãe (o talento está todo lá, o pai trata de outras coisas) com alguns extras vindos de amigos. 
O bolo, esse, ficou sem o acento pois foi a única coisa que não teve mãos Portuguesas enquanto era cozinhado, mas a Sofia tem a certeza que se escreve "Parabéns" e não Parabens"...

Um ano fantástico, muito graças a todos que nos rodearam durante este tempo... a começar pela família e amigos que vieram visitar até todos que de alguma forma contribuíram para os sorrisos da Sofia.