quarta-feira, dezembro 31, 2014

Entrar em 2015 longe do mundo...

O ano passado fazíamos a passagem de ano num dos locais mais movimentados do mundo durante a passagem de ano: a baía de Sydney.
Foi um daqueles objectivos da minha vida que se concretizou durante uma viagem de duas semanas entre principais cidades da Austrália.

Este ano fazemos para o oposto. Estamos num dos locais mais remotos da, já por si só remota, Nova Zelândia.

Hoje, aqui, já é dia 31 de Dezembro e dentro de 24 horas somos dos primeiros no mundo a entrar em 2015, mas desta vez as multidões vão ser substituídas pelas paisagens únicas de Te Anau e Milford Sound (as pessoas que nos rodeiam vão se poder contar a olho).

É um dos vários pontos de interesse desta viagem. Provavelmente ainda vou escrever mais um pouco sobre esta viagem mas que por agora deixo uma amostra das fotos tiradas nos primeiros dias (ainda temos mais uns quantos pela frente).

BOAS ENTRADAS EM 2015... Sei que a maior parte das pessoas que vão ler isto ainda vão esperar pelo menos mais 13 horas que nós... mas que o ano seja igualmente bom...









quinta-feira, dezembro 25, 2014

Um Natal no Verão (o primeiro da Sofia)

Não pensem que por ficarmos na Nova Zelândia que não celebramos o Natal à moda Portuguesa.

O ano passado o Natal foi passado em Melbourne num estilo de celebração bem diferente mas este ano voltamos ao Natal mais típico. Durante a nossa ceia (13 horas à frente do resto de Portugal), no lugar da família tivemos os amigos. As várias sessões com a família foram através do Skype enquanto a faziam as ceias em Portugal (no nosso dia de Natal de manhã).

Por cá a organização na véspera coube-nos a nós por questões logísticas (leia-se, a Sofia poder dormir e ficar a dormir durante toda a refeição) que num ambiente bem Português (onde se acrescentou uma pitada de algum sotaque do Brasil) teve as comidas mais típicas e, tal e qual como em Portugal, MUITA COMIDA... 

(Nota: depois da mesa estar posta, um tremor de terra de magnitude 4.0 fez os copos de pé-alto na mesa - estava a ver que iam cair - e a estrela do alto do pinheiro balançar um bom bocado... mas final não deu estragos)
As prendas foram abertas depois da meia-noite e a noite terminou tarde (ainda para mais considerando o país em que se está).

O dia de Natal, foi um bom dia de Verão... Manhã toda com a família (de chamada em chamada, foram várias) e tarde... de praia...

E ASSIM FOI O PRIMEIRO NATAL DA SOFIA... FELIZ E BEM DISPOSTA...

Amanhã (Boxing Day) é dia de churrasco em casa de amigos e depois é altura de gozar férias até o Ano Novo.

Para os que querem ver como são estes Natais "tão diferentes" daqueles em Portugal, ficam as fotografias (note-se as mangas curtas)...




São sempre Natais "estranhos" por serem longe da família mas soube mesmo ao Natal em Portugal (fora o calor e ser dia até às 22h, vá...).

Já agora, foi o segundo jantar de Natal que fizemos este ano:
No Inverno quando a família esteve cá a visitar tivemos o nosso primeiro jantar de "Natal de Julho", uma coisa muito típica por estas bandas por parte os estrangeiros do hemisfério Norte. É que nesse altura parece mesmo ser Natal.

domingo, dezembro 21, 2014

All I want for Christmas is... COOKIES...

Para uns o Natal é tudo acerca da família... para outros é um momento de prendas. Há aqueles que não gostam do Natal e outros que aproveitam para passar o tempo nas compras.

Para mim, desde que vim para a Nova Zelândia é (também) a altura de biscoitos.


E que vício que é...

E até podemos tentar evitar a tentação destes "cookies", mas nas semanas anteriores ao Natal lá temos as meninas nas nossas empresas a vender estes biscoitos por encomenda... e não há forma de se resistir.
Duas (caixas) aqui, duas (caixas) acolá... e pronto...

Fora isso: calor (não acontece muito por isso tem que se aproveitar) e dias muito longos. As luzes de Natal quase só dá vontade de acender depois da 22h porque até lá é dia...

É uma maneira diferente de ver o Natal. Temos sempre os amigos por perto e dá para viajar mais um pouco.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Castle Hill

Por vezes é difícil descrever o que fazemos por aqui. No blog vou tentando colocar em palavras tudo o que vemos mas por vezes as imagens ajudam a descrever melhor.

Este Domingo foi dia de um passeio a Castle Hill, um dos muitos lugares mágicos de Canterbury, a região onde vivemos.

O video ficou mal, eu sei, mas, em minha defesa, foi um primeiro teste à câmara (e às minhas capacidades de edição de video, que foi feita em 30 minutos) antes das férias de Natal mas como o objectivo aqui é mostrar o local acabo por partilhar na mesma.


Será que isto ajuda a ter visitas por cá vindas de Portugal?

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Um adeus triste e os amigos...

Na semana passada escrevi aqui no blog acerca da doença do meu amigo Steven e de como todos podiam ajudar. Esta semana despedimos-nos dele. O Steven deixou-nos Sábado de manhã.
Na mensagem que recebi da esposa dele para me transmitir a notícia fica-me na memória a parte de ela dizer que pelo menos deixou de sofrer.

Partilhei a história de forma a todos poderem ajudar um pouco a família dele no seu futuro. Gostaria de agradecer todos aqueles que ajudaram ou possam ainda vir a ajudar (ainda vão a tempo e por pouco que seja tem sempre valor. A ligação para o site para onde podem enviar doações fica novamente aqui). O valor que tínhamos como objectivo foi atingido mas isso não quer dizer que seja suficiente. Vi que houve doações de Portugal e fico feliz por poder ter contribuído mais um pouco para isso. Agradeço todas as mensagens de apoio. Muitas dirigidas também a mim embora acredite que a força toda deva estar com a família dele, assim como a coragem. Sou apenas um de muitos que perdeu pela partida dele e a família perdeu muito mais. Vou mesmo sentir falta do Steven...

Para nós, os outros amigos, a vida tem que continuar e por isso, tal como prometido, vou retomar o percurso normal deste blog e aproveito para falar dos amigos que agora estão distantes.

Uma hora e meia depois de receber esta má notícia, enquanto estava em casa, recebi uma daquelas encomendas que nos fazem ter luz no meio da escuridão.

Completamente sem estar a contar, até porque normalmente a família nos manda as encomendas para a empresa, o correio bateu à porta (e foi-se embora sem esperar que alguém abra a porta, como de costume aqui) e deixou uma encomenda na porta.

Pegando na caixa e olhando para a parte de fora, já dava para fazer um sorriso, tinha explicações detalhadas sobre a entrega: ENTREGAR NOS ANTÍPODAS DE PORTUGAL (com desenho do mapa e coordenadas geográficas), vários avisos de quão frágil a encomenda seria e um pouco de história e de tradições de Portugal para carteiro ver.



E lá dentro as boas surpresas continuaram:
Claro que pessoa mais importante da nossa casa agora é a Sofia e por isso a maior prenda era para ela. Uma ovelha fantástica personalizada com o nome dela e que ela pegou logo para brincar. Feita, acredito eu pelo que que me dá a entender, por uma amiga nossa que tem várias destas preciosidades no site Trocas e Retrocas. Fica a foto do momento que a Sofia apanhou a ovelha a jeito.


O segundo passageiro a viajar neste encomenda é o famoso Galo de Barcelos.
Mas visto que a entrada legal na Nova Zelândia é bastante complicada veio acompanhado de toda a documentação necessária: Passaporte (incluindo todos os vistos necessários) e Boletim de vacinas (actualizado e já vacinado contra a gripe das aves).



Um nível de detalhe tal (o passaporte tem todas as páginas normais e com vários carimbos de todo o mundo) que só não sei como é que o Galo conseguiu entrar aqui no país cinco dias antes da data de entrada escrita no visto da Nova Zelândia (dá para aumentar as imagens... recomendo).

A acompanhar tudo isto um postal com uma foto do galo ainda na sua terra (rodeado de amigos nossos), escrito (inclusive escrito em Mirandês) por muitos do grupo de amigos que todos os anos se encontravam em Cossourado .
Isto acontecia (ainda acontece só que nós não estamos, mas recebemos os convites na mesma) quer para passar um bom fim de semana quer para ir às Feiras Novas (mas que na realidade há já muitos anos não se ia lá e ficávamos a festejar mesmo por casa) num reencontro de amigos muitos deles antigos Orfeonistas.
Já num passado distante, quando ainda vivíamos em Portugal, escrevi aqui sobre estes "ajuntamentos". Fica um pouco da saudade e abraços/beijos grandes a estes amigos (um abraço especial ao dinamizador desta encomenda) que me fizeram relembrar ainda mais o porquê da importância dos amigos que ainda temos connosco.

Foi uma surpresa fantástica que todos adoramos (a Sofia também porque tem um novo brinquedo para levar à boca). É maravilhoso porque já não é a primeira surpresa que temos de diferentes pessoas em Portugal.

E a vida continua... porque tem de continuar. Sempre com sorrisos, mesmo quando estes são mais complicados de se desenharem nos rostos.

segunda-feira, dezembro 01, 2014

O meu pior e mais triste momento na Nova Zelândia...

Tenho escrito menos nestas últimas semanas porque não sinto uma motivação especial.

Uns fins-de-semana tem sido muito agitados numa maneira de tentar desviar o pensamento da tristeza. Há uns tempos um amigo, escritor, comentava acerca de se escrever em momentos de luto (e, acrescento eu, de tristeza) e acho que cada um vive a sua realidade à sua maneira.
Por norma gosto de partilhar as alegrias (para fazer sorrir as pessoas à minha volta) e evito falar das tristeza. É uma maneira de se tentar viver... com um sorriso e a fazer sorrir.

Hoje estou a escrever sobre tristezas porque escrever pode ajudar, nem que seja um pouco, alguém.

Há dois anos atrás, quando chegamos à Nova Zelândia e não conhecíamos ninguém uma das pessoas que mais nos ajudou foi um colega do trabalho, o Steven. Ele é uma daquelas pessoas que não pensa duas vezes em ajudar os outros a todos os níveis.

No trabalho, um génio, com um conhecimento completamente acima da média. É sem dúvida a melhor pessoa tecnicamente com trabalhei, e daqueles que ajudava todos sem problema, nem que para isso ficasse mais horas. Além disso vive o seu trabalho, o facto de ajudar e ter novas ideias com paixão. Como tive de trabalhar directamente em alguns projectos tive de lhe fazer avaliações e o que comentava na altura é que não lhe conseguia apontar pontos negativos (campo que era preciso preencher).
A nível pessoal acabou por se tornar mais que um colega e tornou-se um amigo. Ainda hoje o talho que vamos foi por recomendação dele, o número de almoços que fizemos juntos durante o trabalho não tem conta e foi o primeiro Kiwi que nos convidou para jantar em casa dele. Este blog tem ainda um significado especial com ele pois ele ia sempre ao Google traduzir o que eu escrevia (às vezes com resultados hilariantes).

Ou seja, é uma daquelas pessoas FANTÁSTICAS...

Há poucas semanas foi diagnosticado ao Steven um tumor no cérebro e em poucos dias perdeu a mobilidade e fala. O corpo não reagiu bem à quimioterapia e agora os médicos dão-lhe apenas alguns dias de vida.

O Steven tem 28 anos e sendo uma pessoa, que eu sei por experiência, fantástica já tornava esta história numa daquelas que nos faz pensar na nossa própria existência mas infelizmente há sempre mais. O Steven e a Nicola (a sua mulher), estão à espera do seu primeiro filho em Maio do próximo ano, ou seja, o Steven nunca vai ter oportunidade de o conhecer.

Normalmente não partilho estas histórias porque não conheço as pessoas e não conheço a sua realidade mas neste caso não consigo sequer transmitir a injustiça deste momento e assim partilho uma página de apoio, mediada pela que a minha (nossa) empresa, para conseguir juntar fundos para ajudar a família e futura família neste momento. Tudo que eu possa dar parece-me sempre pouco por tudo que ele fez por isso partilho com todos (mesmo que distantes em Portugal, no Brasil, ou em qualquer lugar) que estejam a ler isto possam ajudar... nem que seja com um pouco...

Give a little...

http://bit.ly/1CqXEzZ

Comecei este post por dizer que é o meu momentos mais triste na Nova Zelândia mas é também um dos mais tristes de toda a minha vida. Sei que a vida é assim, mas aquela pessoa fantástica que tinha ali todos os dias no trabalho já não vai aparecer mais lá e não era a hora dele...
Uma das frases que tenho sempre comigo "Carpe diem quam minimum credula postero", ou seja, aproveitem o dia, não se acreditem em amanhãs... infelizmente às vezes é mesmo assim...

p.s.: vou tentar voltar às histórias mais felizes no futuro mas não podia ficar indiferente e não tentar ajudar um pouco... nem que seja só uma pessoa mais a ajudar...