domingo, julho 20, 2014

AINDA não consegue esquiar...

Temos a felicidade de, para já, ter uma filha incrivelmente sossegada e calma.
Isto faz com que a vida social aos pouco vá voltando (mais rapidamente do que tínhamos inicialmente previsto). Ao final de menos de três meses, é certo que com algumas limitações, já é uma realidade.

Como a nossa vida é sem o resto da nossa família por perto (pelo menos para já) e nesta fase ela ainda "tem de estar sempre" em família, a Sofia acompanha-nos para todo lado. Neste fim de semana ela já teve uma festa de aniversário e uma festa social (ambos com muitos colinhos que a fizeram adormecer e muitos sorrisos, dela e dos que nos rodeiam).


Claro que há sempre aqueles eventos que ela ainda não consegue ir por várias razões. Um deles fica bem explicado nesta camisola.

A Sofia (AINDA) não consegue esquiar.  (note-se bem este ainda, porque esperámos que não vá demorar muito tempo)
Para estas ocasiões os pais fazem turnos. Se no Sábado de manhã foi dia de natação (e o pai ficou em casa) no Domingo foi dia de ski.

Apesar de em Christchurch estar um dia de chuva, nos Alpes estava um esplêndido dia de sol. É daquelas vantagens de se viver a menos de hora e meia da estância de ski: Reparte-se o carro com uns amigos e dá para ir esquiar e voltar a tempo de lanchar com outros amigos em casa com mais sorrisos e colinhos.




Claro que isto também implica ficar-se todo sujo a colocar e retirar as correntes (obrigatórias mesmo em veículos 4x4). Pelo menos não tivemos a ser atacados pelos "simpáticos" Kea's, que gostam de comer partes de plástico dos carros (como o carro na foto abaixo, que estava dois ao lado do meu)





domingo, julho 06, 2014

Pedras no caminho a Wellington...

Alguém um dia escreveu:
"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"
(Não consigo encontrar a autoria da frase mas sei que não foi Fernando Pessoa, ao contrário do que muitos dizem, e que é usada no contexto de um poema de Augusto Cury, embora também não seja da sua autoria)

Eu penso ligeiramente diferente:
Pedras no caminho? Servem-me para construir outros caminhos e assim chegar a novos destinos e conhecer novas pessoas.

Tem sido assim até agora (e daí a nossa paragem actual ser a Nova Zelândia) e assim foi este fim de semana. Tivemos uma grande pedra no nosso caminho, que descrevi no último post do blog, mas conseguimos transformar isso numa oportunidade fantástica para conhecer novos locais e novas pessoas.

Assim, o que era uma viagem para a Sofia colocar o dedo em tinta e passar essa tinta num cartão (onde só ficou um borrão, mas era o "necessário") acabou por ser um excelente fim de semana a conhecer a capital mais a sul deste planeta azul: Wellington.

Para quem, como nós, vem de Christchurch, uma cidade ainda muito afectada pelo terramoto, foi uma boa sensação de voltar a uma cidade "propriamente dita". Tínhamos aquela sensação de que estávamos a vir da aldeia para a capital... (que não é muito longe da verdade).

A cidade tem um centro de negócios (CBD) rodeado de uma frente de água fora do normal que vale totalmente a visita, pelas vistas, para um passeio durante o dia e ainda vários jardins espalhados por toda a cidade. Claro que não tivemos oportunidade, neste tempo limitado, de ver tudo. Longe disso, mas deu para saborear um bocado e sentir o ambiente da cidade.
Uma "Melbourne em ponto pequeno" como alguns dizem, e de facto foi a nossa sensação. Ainda gostei dos museus serem interessantes e gratuitos (pelo menos os que vimos).

Para tornar as coisas melhores, o que poderia ser uma visita impessoal e apressada para resolver burocracias ainda teve um bom jantar de convívio caseiro com Portugueses (também os há na nossa capital apesar do consul em si, bastante simpático e prestável, não ser Português).

A viagem de avião de ida para Wellington, a primeira de avião da Sofia, teve o detalhe de ter a aterragem mais "agitada" que tive até hoje, e que só lá foi à segunda tentativa.
A Sofia dormiu durante as tentativas de aterragem. Durante o resto do vôo, assim como durante grande parte do fim de semana, ela teve olho bem aberto a olhar para tudo (de novo) à sua volta. Isto foram algumas das coisas que ela conseguiu ver:






quinta-feira, julho 03, 2014

O primeiro vôo de avião da Sofia...

Fiz o meu primeiro vôo de avião quando tinha onze anos. O destino foi a Ilha de São Miguel nos Açores.
A Sofia vai fazer o seu primeiro vôo de avião quando tiver dois meses e cinco dias de vida e o destino também vai ser uma ilha: a Ilha Norte (chama-se mesmo assim embora em alternativa possa-se dizer "Te Ika-a-Māui"). Sem dúvida que os tempos são diferentes e o nosso estilo de vida não é o mais típico.

Uma viagem que não estava nos nossos planos, mas que acaba por surgir como necessidade por sermos Portugueses, naquilo que considero uma das viagens mais desnecessárias da nossa vida. Porquê?
Por causa do nosso processo, que está a decorrer, em busca da residência permanente na Nova Zelândia ,temos de incluir a Sofia com o Passaporte de Portuguesa. Até aqui tudo normal.

Agora como é que uma recém nascida consegue obter um Passaporte Português na Nova Zelândia?

Primeiro tem que se fazer um registo no consulado de Sydney. Para este registo é preciso o certificado de nascimento e (a partir daqui é que começa o descalabro) para pagar é necessário um cheque visado que custa mais a pedir que o seu o próprio valor. Ou seja, numa altura em que se usa cartões de crédito ou transferências para todos os pagamentos, tive de usar este meio "único" de pagamento ao consulado. Ou seja, para pagar cerca de 10$ do registo paguei 30$ pelo cheque visado.

Depois é preciso tirar um bilhete de entidade (BI) ou cartão de cidadão, mas como na Nova Zelândia não se emite o cartão de cidadão a Sofia tem de tirar um BI que pode ser feito em Wellington ou Auckland. Isto tem de ser presencial para se tirar as impressões digitais ao bebé. Depois os documentos são enviados para Lisboa e tem  que se esperar que sejam processados. Isto demora cerca de dois meses.

Depois disto é que finalmente se pode ir tirar o Passaporte, desta feita apenas Auckland, novamente presencial com a bebé, porque é preciso tirar novamente as impressões digitais e a foto.
Ou seja, para registar o bebé pagamos cerca de 2000$ só para transportes (os preços de tirar efectivamente tirar os documentos acaba por ser o menor custo).

A alternativa é ir a Sydney mas, como o consulado não emite Passaportes temporários para estas situação e a bebé tem de fazer o processo presencialmente, não é possível porque não é permitida a saída do país... sem Passaporte.

Agora é assim:
Eu até entendo ter de ir a Auckland tirar o Passaporte, é um questão de segurança, mas para que **** interessa o BI? Um documento completamente obsoleto que não tem equivalência na maior parte dos países civilizados do mundo. Por exemplo aqui, na Nova Zelândia, ou se usa o Passaporte para viajar para o estrangeiro ou usa-se a carta de condução, e isto serve para tudo. Não existe sequer o documento. Quando tento explicar pelo que estamos a passar e estes meses de espera nem conseguem perceber.

Por causa disto tudo vamos viajar por (des)necessidade para Wellington e aproveitar para (os três) vermos um pouco mais de perto a capital do país que chamamos casa há quase dois anos (a Sofia só há 2 meses).

Assim, vamos "desperdiçar" perto de 1000$ mas vamos tentar aproveitar um pouco isso num fim de semana.
Para alegrar o meu dia, e falando da Sofia, o que não foi desperdício de dinheiro foi um dos raros brinquedos que comprei para a Sofia (o resto tem sido tudo oferecido), o seu mobile com música... é capaz de ficar um eternidade a olhar para aquilo fascinada:



E depois a viagem para a capital mais a sul do planeta... que me parece bem ventosa a julgar pela placa que vi na última vez que lá aterrei no aeroporto: