terça-feira, maio 27, 2014

Depois de estar lá fora é tudo fácil?

Por vezes ouvimos frases interessantes...

Já ouvi várias vezes, directamente de Portugal, frases do género: "Ahh, aí fora é muito mais fácil... eu queria era isso assim mas eu não posso porque...".

Sobre estes argumento conseguia falar de mil e uma coisas mas, desta vez, vou-me focar na parte de "ser fácil".
Mesmo cá fora o processo de mudança é constante.
Por exemplo: Amanhã devemos dar mais um passo na nossa estadia da Nova Zelândia: o envio dos documentos todos para o Visto de Residência na Nova Zelândia.

Em situações excepcionais (leia-se, para quem tem estudos superiores, uma boa oferta de trabalho e um oficial da imigração bem disposto) o Visto PODE ser dado de forma vitalícia imediatamente (senão há um período de espera de dois anos de residência temporária em que as saídas do país são limitadas, mas também não é mau de todo), por isso resolvemos dar tudo por tudo para tentar a nossa sorte processo de visto de residente.

O processo inicial é com um sistema de pontos. Só podemos entrar na "pool" se tivermos um mínimo de 100 pontos (estudos, anos de experiência, tipo de profissão, nível de Inglês, tudo dá pontos). Dessa "pool" são escolhidos alguns processos para serem revistos. Se tiverem mais de 140 pontos passa-se esse primeiro passo automaticamente e são considerados todos os que tem mais de 140 pontos (que depois é preciso provar todos os pontos). Nós fizemos a candidatura com 260 pontos, o que é muito bom, mas faz com que se tenha muito mais coisas a provar.

Foram MESES a juntar os papeis todos necessários (muitos vindo de Portugal com procurações), preencher formulários e pedir equivalência na Nova Zelândia de coisas que tínhamos em Portugal, por isso fica registado que o processo de mudança NÃO é fácil de todo (outra opção seria pagar mais de 4000$ e ter alguém a "ajudar" e mesmo assim era preciso grande parte do trabalho a juntar documentos).

Hoje finalmente conseguimos ter todos e o resultado deste processo "fácil" é esta capa cheia de informação sobre nós e já com alguma da Sofia:


Agora é só mais seis meses de espera pela frente, perto de 2000$ (fora todo o dinheiro que o processo já custou até ao momento) e alguma sorte para não termos feito nada errado no meio disto tudo para termos outro passo dado.

O ponto mais divertido do processo foi um inquérito que um médico teve de nos fazer sobre a Sofia (ela com 20 dias) para este processo em que ele nos tinha de fazer certas perguntas (porque são obrigatórias). Ele perguntava e ria-se porque tinha noção do ridículo:
"E ela fuma ou alguma vez fumou?"
"É viciada em drogas ou já foi dependente em algum ponto?"
"Já teve alguma depressão?" (pelos berros e choro que ela dá quando quer mamar e demoramos mais uns segundos, eu por acaso até diria que sim, mas resolvi dizer que não)

Isto para além de ela ter (segundo os documentos) de ser acompanhada por um tradutor caso ela não falasse Inglês (que por acaso era o caso dela, ainda não diz uma palavra em Inglês).

Cada pessoa tem os seus desafios, aqui ou em Portugal. Estes são alguns dos nossos...

domingo, maio 18, 2014

Pauliteiro ou Pauliteira?

Durante os meus diversos anos no Orfeão Universitário do Porto, um dos grupos que mais  marcou a minha presença por lá, apesar de não ser o grupo que participei mais anos, foi o grupo de Pauliteiros de Miranda.

Depois de diversos anos no grupo, de ser responsável e ensaiador e de ter feito vários e bons amigos, que ainda hoje mantenho muito contacto, ajudei um grupo de fantásticas raparigas a fundar o grupo de Pauliteiras de Miranda do Orfeão Universitário do Porto. Foram muitas, muitas horas de ensaios que valeram cada momento e quem ainda hoje, vários anos passados e para minha grande felicidade, dão frutos.

Depois deste meu enorme (e engrandecedor para mim) envolvimento com estes dois grupos ainda fiz parte do grupo de Pauliteiros de Miranda da AAOUP.

Assim, quando esperávamos pela próxima geração, uma dúvida surgiu:
Mais do que saber se era menino ou menina, a pergunta era se seria Pauliteiro ou Pauliteira?

Vários dos meus amigos e amigas próximos destes grupos fizeram a pergunta desta maneira.
Com o nascimento da Sofia a resposta estava dada: Pauliteira.

Uma amiga Portuguesa, aqui da Nova Zelândia, assistiu a estas conversas no Facebook após o nascimento, fez alguma pesquisa por estes grupos e resolveu dar uma prenda à Sofia, para ela não se esquecer do resultado da disputa.
(Continuo a dizer que somos acarinhados por estas pessoas fantásticas que conhecemos por este lado.)

E assim a Sofia teve o seu primeiro peluche totalmente personalizado: uma Coelhinha Pauliteira.






Por esta razão, a minha proximidade com as terras de Miranda é muito grande e isto aconteceu na mesma semana em que um bom amigo que conheci nestes grupos me mandou esta lembrança acompanhado de outras coisas boas: uma cópia do livro "O Principezinho", que já falei aqui num post anterior, em Mirandês, a segunda língua oficial de Portugal.


Para quem nunca viu uma actuação de Pauliteiros de Miranda, nem na TV, e não sabe do que estou a falar, aqui fica uma das minhas últimas actuações antes de vir para a Nova Zelândia.
Não digo onde estou, mas estou lá a dançar...


domingo, maio 11, 2014

11 dias depois...

Este blogue serve para acompanhar os nossos momentos pelo mundo e agora, em particular, na Nova Zelândia.

Com a chegada do "novo elemento", grande parte do nosso tempo acaba dedicado à Sofia (com F e A no final... com 11 dias já teve o nome mal escrito umas quantas vezes) e à casa.
Como não quero tornar isto em mais um blogue a descrever todos os passos da bebé: a primeira vez que espirrou, a primeira vez que nos deixou dormir uma noite (tem nos deixado dormir todas... nem imaginam a felicidade, é uma paz de alma), primeira birra e por aí fora, o blogue acaba por ter um pouco menos de actividade.

Aos poucos a vida vai tendo retomando alguma actividade e até já voltei a jogar basquetebol (estou a participar num campeonato local, tipo INATEL, para quem conhece) e amanhã já devo retomar o squash.

Tem sido dias fantásticos principalmente por toda a ajuda, algumas visitas a quem já começamos a dizer para aparecerem aos poucos (até agora estávamos ainda na nossa adaptação a três e só agora recebemos visitas) e as longas horas de Skype com a família e alguns amigos em Portugal (mais que uma pessoa ligaram o Skype pela primeira vez).

Já o escrevi na mensagem anterior mas não consigo deixar de reforçar o quão fantásticas as pessoas foram connosco aqui, principalmente as "midwives" (não encontro tradução directa para Português sendo que a pessoa mais parecida que temos é a "parteira", mas aqui elas são muito mais que parteiras, a ligação, em Inglês ajuda a descrever) e os médicos. Ainda os amigos de cá que continuam a nos trazer comida (para quando não temos tempo para cozinhar) e presentes, bem como as nossas empresas que tratam de fazer sentir parte desta comunidade.

Ainda hoje fomos presenteados com esta sobremesa por uns amigos (MUITO BOA)...


E outros trouxeram-me um bolo para o meu aniversário, já que tempo para fazer um bolo não ia ser muito. (Foi um aniversário só a três mas muito especial)

Claro que também temos de agradecer a todos que nos deram os parabéns aqui no blogue (alguns mesmo sem nos conhecer pessoalmente), por e-mail ou no Facebook. Não dá mesmo para agradecer a todos... fica o sentido obrigado a todos.

Mas como a vida continua sempre, mesmo com estes bons momentos, fica aqui uma foto (um pouco branca, é certo), tirada hoje, ao lado de casa de como vão ser as "aventuras" daqui para a frente: com o buggy todo terreno, como tem que ser aqui...

quinta-feira, maio 01, 2014

9 meses depois... a Sofia...

Hoje ainda é dia 1 de Maio de 2014...

Um dos dias mais longos e mais importantes das nossas vidas pois, marcavam os relógios na Nova Zelândia uma e meia da madrugada, ficamos a ter mais uma Portuguesa aqui em Christchurch: a Sofia.

Talvez uma surpresa para alguns pois, apesar de eu escrever muito no blog, nunca passo muito aos detalhes da nossa vida, desde fotos de amigos ou partilhar eventos sociais (quem passa mais tempo connosco de certo sabe isso).

Fizemos o mesmo com estes 9 meses: foram nossos e daqueles com quem já partilhávamos nosso dia a dia, fosse pessoalmente, por e-mail ou Skype. Iremos continuar a fazer isto no futuro mas há alegrias tão grandes que nos dão vontade de gritar ao mundo para partilhar essa alegria. E por isso aqui abrimos a exceção e mostramos um pouco mais de nós.

Óbvio que a barriga existiu e para os muito, muito atentos até houve fotos no blog deste período. A barriga não nos impediu porém de ter os nossos momentos de diversão que, por norma, não aparecem no blog (embora a sair muito menos da nossa cidade)...


A maternidade e gravidez na Nova Zelândia é bastante diferente do que estávamos habituados em Portugal e dava matéria para todo um blog dedicado a isso e por essa razão não vou escrever (falta tempo). Porém, apesar do choque inicial com algumas diferenças foi uma experiência muito, muito, muito boa que para nós teve o climax no Christchurch Women's Hospital com o nascimento da Sofia (que até ao seu nascimento optámos por não saber o sexo, ou seja, havia um nome para rapaz também à espera).


A Sofia, que é absolutamente linda, se calhar aos nossos olhos de pai e mãe, ainda não tem 24h enquanto aqui escrevo, mas como tive de vir para casa fico a pensar no regresso no dia seguinte.
Faz-me lembrar a frase que recente ouvi no episódio final de uma série: "You are the love of my life. Everything I have and everything I am is yours. Forever." (És o amor da minha vida. Tudo que eu tenho e tudo o que eu sou é teu. Para sempre). É exactamente este o sentimento.


E podemos estar longe da família (a parte que custa mais) mas este primeiro dia da Sofia já teve várias sessões de Skype para Portugal e é sempre bom quando, no seu primeiro dia, a nossa filha teve um dia perfeito e esta paisagem na janela do primeiro quarto onde dormiu (e foi esta a primeira luz do dia que os seus pequenos olhos viram)...


Já agora, no bom espírito Kiwi, todas as pessoas que nos apoiaram por cá nesta recta final (e não só) foram simplesmente FANTÁSTICAS... TODAS... Foi tudo tão bom que às vezes nos custa acreditar que a nossa filha nasceu a mais de 20.000 km do nosso país de origem.