quarta-feira, abril 23, 2014

"O essencial é invisível aos olhos"...

... "só se vê bem com o coração".

A semana passada "parei o tempo" por umas horas para reler um dos meus livros favoritos de sempre (direi mesmo: "o meu livro favorito de sempre").

Acabei por voltar a ler a versão em Português mas vou ver se nas próximas semanas o volto a ler noutra língua a aproveitar e contributo que os meus amigos e conhecidos me tem dado nos últimos tempos. Uma grande vantagem de conhecer pessoas de todo mundo e em todo lado é que quando nos desafiamos com tarefas que é preciso ajuda de pessoas noutros locais, acabamos por ter sempre uma mão amiga estendida. Esta é a minha coleção actual, mas sei que tenho mais alguns a caminho ou perto disso (grão a grão):


A história deste livro é simples mas de uma beleza que não consigo sequer descrever.
Para mim, tal como para muitas outras pessoas, a passagem da raposa acaba por ser das mais "cativantes", tão simplesmente porque acho que resumo tudo aquilo que uma amizade (verdadeira) é: "Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas".

Somos eternamente responsáveis por aqueles que gostámos... e com esta frase deixo este blog em pausa por uns dias até este entrar numa fase diferente...


domingo, abril 20, 2014

Páscoa em Christchurch

O ano passado passámos a Páscoa a viajar pela Nova Zelândia remota, onde não nos cruzamos com ninguém até à noite e por isso não nos apercebemos de "como funciona" a Páscoa por aqui como este ano.

Aqui é feriado na Sexta-feira Santa e na Segunda-feira de Páscoa, logo temos um fim de semana de quatro dias. O que o ano passado não nos apercebemos é que na Sexta-feira, no Domingo e na Segunda-feira as lojas estão todas fechadas. Até mesmo os super-mercados, que tem grandes cartazes a dizer abertos 7 dias por semana e até às 23h (na realidade eles dizem 11pm), encerram nestes dias.

Tendo em conta que não tínhamos planos para sair da cidade, foram uns dias para estar com alguns amigos (até fizemos francesinhas para uns amigos Checos que aprovaram com distinção), passear muito pela cidade e descansar.

O passeio no Hagley Park (em frente à nossa casa) é sempre obrigatório, mas também fomos ao Mt Pleasant e dar uma volta na Gondola da cidade (onde temos passe anual).
Aqui ficam umas fotos do fim de semana de Páscoa. Amanhã, segunda-feira, é dia de ir almoçar a casa de uns amigos Portugueses. E assim se vive em Christchurch num fim de semana de relax:



E uma boa Páscoa a todos..

domingo, abril 13, 2014

Ser social entre Latinos...

Interessante a forma como em nove anos mudamos tanto quem somos.
Ainda me lembro, antes me mudar para os Países Baixos, que não era o maior fã dos Espanhóis e nessa altura acabei fazer bons amigos dessa nacionalidade.

Acredito que antes de se passar pela experiência de viver fora do nosso país a nossa forma de ver o mundo é diferente. E depois de sairmos é diferente para todo sempre.

Curiosamente, hoje em dia, aqui na Nova Zelândia, para além de falar Português, falar em Espanhol é das coisas que me faz sentir mais perto de "casa".

Hoje tivemos dois "eventos sociais", uma despedida e um aniversário, e fiquei com aquela sensação boa de falar em Português (na despedida de um filho de descendentes Portugueses) e Espanhol (no aniversário) durante tanto tempo.
Nos nossos amigos mais próximos aqui temos desde Iranianos, a Malaios, Checos e Alemães, mas a sensação de estar entre Latinos é sempre algo que nos dá uma sensação muito mais próxima da nossa cultura.

Em Christchurch não há muitos Portugueses e também ainda não encontrámos muitos Espanhóis mas Sul Americanos há imensos e é engraçado o quão parecidos são connosco. Já conhecemos diversos Chilenos e estes, juntamente com os Argentinos e Brasileiros, são aqueles com que nos acabámos por identificar mais por esta terra.

Gostámos da cultura Neozelandesa e da vida cá mas por vezes sentimos falta das nossas raízes e é sempre bom reviver a nossa cultura tão Latina... 

domingo, abril 06, 2014

Mudar-se e emigrar para a Nova Zelândia...

Há dois anos, quando começamos a preparar mais intensivamente a nossa mudança para a Nova Zelândia, e depois de já termos começado a fazer algumas entrevistas para Christchurch, entramos em contacto com um casal Português que vivia cá. A ajuda que nos deram foi importante, principalmente nos momentos mesmo antes da nossa mudança.
Numa das primeiras respostas que nos deram, disseram que nos estavam a responder porque os tínhamos abordado de "uma forma educada". Não esquecemos isso porque na altura pensamos como seria possível abordar alguém que não se conhece de outra forma senão de "uma forma educada"?

Estamos na Nova Zelândia, agora há ano e meio, e neste tempo já recebemos inúmeros contactos de Portugueses (curioso como isto está na nossa cultura) das mais diversas formas. No início a vontade de ajudar era imensa mas admito que com o passar do tempo esta diminuiu, porque percebemos o que era a forma não tão correcta de se abordar alguém e, mais que isso, percebemos que muitas vezes as pessoas na realidade não queriam mesmo mudar, mas sim... bem, na realidade nem sei bem o que queriam inicialmente.

E pode-se pensar que não custa nada esta ajuda, mas no início passávamos uma ou duas horas a compilar informação que tínhamos para ajustar o mais possível à realidade de cada um dos contactos. O entusiasmo de ajudar passou quando começamos a receber respostas (e alguns eram contactos através de amigos) como: "ahh, afinal isso é muito longe" (às vezes as respostas eram mesmo assim), ao que só apetecia responder: "A SÉRIO? O país não mudou de sítio na última semana", mas de forma educada dizemos que pronto. Também tivemos respostas tipo: "isso não dá para ganhar muito dinheiro e não me interessa a parte de ter aí a família. Vou tentar um país no médio Oriente sozinho" (isto de alguém com mulher e filho), ao que nem sabemos bem o que responder porque depois de estarmos a tentar ajudar uma "situação familiar complicada", como nos foi exposto, vemos que o que são complicadas são algumas mentalidades. Depois ainda tivemos diversos contactos que deixam a conversa a meio e deixam de responder ou no meu top está um de duas linhas de alguém que não nos conhece com a abordagem directa de: "Boas. Quero muito ir trabalhar e viver para a Nova Zelandia. Não me conheces aí nenhuma empresa ou alguém que trabalhe na area de XPTO que me possa patrocinar o visto de trabalho? (...)". Não levo a mal perguntas, mas acredito que se estamos a abordar uma pessoa que não conhecemos devemos ter algum cuidado e mostrar algum trabalho.

Não estou a dizer com isto que todos os contactos são maus. Longe disso. Temos pessoas que ainda hoje não nos custa nada ajudar. Mesmo que para isso seja necessário até mais tempo. Temos contactos com perguntas muito objectivas que se nota que já fizeram imenso trabalho de casa e de facto estão interessados em mudar-se. Esses ainda hoje não nos custa falar durante o tempo que for possível.

Acredito que agora, por causa das experiências menos boas, não temos a mesma dedicação que tínhamos no início e por isso, nem sempre me sinto bem pela dedicação que dou, mas é impossível tratar todos com o mesmo cuidado quando muitos na realidade não se querem realmente mudar. Assim resolvi fazer um mini resumo do que é mesmo importante antes de "podermos" de facto ajudar.

As duas perguntas mais importantes que uma pessoa tem de saber responder são:

  • Eu quero mesmo mudar-me para a Nova Zelândia?
  • Eu posso/consigo mudar-me para a Nova Zelândia?

Para responder à primeira pergunta as pessoas têm que pensar nas coisas que vão ter de abdicar:
a Nova Zelândia fica a aproximadamente 20.000km de Portugal, ou seja no melhor dos cenários a 36 horas de viagem e com preços não inferiores a 1.500€. Não é uma viagem (a casa) que se faça facilmente todos os anos e nem estou a falar só pela parte financeira, estou a falar pelo tempo e cansaço da viagem. A família e amigos vão ficar longe. É um país mais susceptível a desastres naturais pois existem de facto terramotos, vulcões e é bom saber também os procedimentos em caso de tsunami. (e depois há sempre outras pequenas coisas que acredito que se lidam relativamente bem).

Ainda no primeiro ponto temos de perceber o nível de vida. Não acho que a diferença no custo de vida seja tão grande como é indicado neste site, mas é sempre um bom indicador para se ter em mente de quanto se gasta:
Site para comparar preços de vida nas cidades (exemplo em Porto e Christchurch).

Para isto também temos de perceber quanto se ganha em cada profissão na Nova Zelândia:
Site para se saber salários médios nas várias profissões (salários anuais em New Zealand Dollars).

Quanto à questão se vão gostar do país, aí depende do que cada um procura. As paisagens são o que se sabe (e são mesmo assim) e não há grandes cidades a não ser Auckland (que mesmo assim é um "grande"). Depende muito do que cada um pretende. As nossas experiências ficam aqui no blog e pessoalmente nós adoramos mesmo viver aqui. Era o que queríamos para nós, não sei se é o que todos querem (acredito que não porque, por exemplo, não há vida cosmopolita).

Agora a segunda pergunta, e aí as coisas começam a ser mais delicadas. A minha resposta é quase sempre: eu acredito mesmo que sim. Porque existem diversas maneiras de o conseguir e NENHUMA é a maneira perfeita. Todas elas implicam que as pessoas queiram mesmo (a primeira pergunta). Claro que é muito mais simples a alguém com formação superior e anos de experiência em áreas com procura cá, mas nem para esses é algo fácil de se conseguir. A primeira pergunta que ocorre é: Primeiro o Visto ou Emprego? A minha resposta é: Depende... já conhecemos de tudo.

Para Portugueses existem duas alternativas: arranjar um visto de residência e com o visto vir para cá e procurar emprego ou ter uma oferta de emprego e obter um visto de trabalho. Neste último cenário o trabalho pode ser obtido de diversas formas: vir para cá com visto de turismo e procurar um emprego fazendo entrevistas nas empresas (oficialmente não podem fazer isto, por isso cuidado com o que dizem nos serviços de emigração); obter emprego à distância através do contacto com empresas ou LinkedIn (aquela que foi a nossa escolha); ou vir para cá com um trabalho temporário e procurar emprego enquanto se tem esse trabalho temporário que dá um visto curto (3 meses). Ainda há a alternativa de casar com um(a) Kiwi e ganhar o direito à residência dessa forma. Conhecemos Portugueses que vieram para cá, com todos estes cenários. As vantagens e desvantagens de cada um dos cenários envolvem sempre custos e riscos de se conseguir ou não conseguir uma oferta. E não esquecer que há sempre a forte hipótese de se levar muitos "nãos" pelo caminho e o que interessa é não desistir.

Os Portugueses não tem acesso ao visto "Working Holiday" onde se pode vir procurar emprego durante um ano.

Para obter estes vistos e perceber estes cenários, onde cada caso é um caso, o melhor é consultar este site:
http://www.immigration.govt.nz/
Ainda agora, para nós, este site é obrigatório para tratarmos dos nossos processos. Tudo que nos perguntam de vistos é respondido aqui.

Tudo o resto que é preciso de facto perguntar vem depois dos pontos anteriores estarem respondidos de forma afirmativa e com MUITA força de vontade.
Seguidamente já será normal existirem questões para nós ou para qualquer outra pessoa cá, mas muitas ainda podem ser respondidas nestes dois sites:
http://www.seek.co.nz/ (procura de emprego)
http://www.trademe.co.nz/ (tudo, desde emprego até aluguer de casas ou comprar carros)

Por vezes há perguntas muito específicas que surgem mais cedo, como foi o caso de uma mãe que queria saber a qualidade do ensino, porque tinha um filho de 10 anos e queria perceber isso antes de avançar com o que quer que fosse, para tal temos sempre muito gosto em ajudar. Na maior parte dos casos é importante ter em mente que não conseguimos arranjar empregos (a não ser que sejam mesmo bons em informática, porque a empresa onde estou está sempre a contratar bons profissionais) e que é preciso ter um bom trabalho de casa antes de termos capacidade de facto ajudar. Aqueles que conseguiram vir para cá, foram precisamente aqueles que menos precisaram da nossa ajuda, pois já só tinham poucas perguntas a fazer, devido a terem feito a maior parte do trabalho de casa. O que não invalida que ajudemos sempre que de facto as pessoas tenham um interesse real em vir para cá. Temos todo o gosto em ajudar no que nos é possível.

Em tudo o resto, resta-nos desejar boa sorte, quer seja para uma mudança para a Nova Zelândia ou para outro país do mundo na procura por melhores oportunidades.

 
E mudar implica isto, colocar toda a vida em caixotes e partir... 




quarta-feira, abril 02, 2014

Ruas sempre a mudar...

Uma das coisas que considero mais estranho em Christchurch é como as ruas da cidade estão sempre a mudar, principalmente no centro da cidade, a zona mais afectada pelo terramoto:
Um dia uma rua está fechada para depois passar a ser de dois sentidos. Uma semana depois fica só de um sentido e no mês seguinte é no sentido oposto para depois não se poder circular novamente na rua.

É sempre uma ginástica memorizar caminhos e o GPS ou se actualiza todos os dias ou também não ajuda muito.

O "episódio" mais caricato foi hoje: Fomos jantar a um lugar relativamente perto de nossa casa mas tivemos de levar carro (long story). Basicamente é ir até ao final da rua, virar à esquerda, virar à direita e estávamos no restaurante (já agora, a jantar com alguns Portugueses que ainda não conhecíamos ou conhecemos nas últimas semanas).
No regresso a casa seria uma viagem de 3 minutos não fosse durante o tempo que jantámos as ruas já terem mudado todas... e lá fomos na direção aposta a nossa casa dar uma volta a passar várias desvios até chegar a casa.
É sempre bom sermos lembrados que vivemos em Christchurch.