terça-feira, janeiro 28, 2014

Falsos Amigos...


Dizem que os "amigos falsos são piores que os inimigos assumidos". Na minha vida tive a infelicidade de me cruzar com alguns destes e a felicidade de não serem muitos. Mas aqueles que hoje venho escrever aqui hoje são uns falsos amigos "especiais" com quem ainda me cruzo no meu dia a dia, por viver no outro lado do mundo. Vou escrever um pouco sobre os falsos cognatos, que geralmente são chamadas de falsos amigos da linguagem.

E o que são estes falsos amigos?
São duas palavras que, em duas línguas diferentes, tem a mesma grafia (ou grafia muito semelhante) mas significado diferente (por vezes muito diferente).

Não há nada como uns exemplos para se perceber isto melhor. Cá vão alguns entre o Inglês e o Português (o conceito de falsos amigos pode existir entre todas as línguas):
Muitas latas de refrigerantes dizem: "No preservatives". Isto não quer dizer que as companhias de conservantes querem que toda a gente se reproduza mais e por isso deixe de usar preservativos mas apenas que a bebida não tem conservantes.

No meu trabalho uma das palavras que mais me aparece à frente é: "Library". Às vezes apetece mesmo fazer uma tradução para Português e dizer "livraria", mas na realidade, como qualquer informático deveria saber, a tradução é "biblioteca". Já agora, em Inglês, livraria diz-se "book shop".

A lista de falsos amigos entre as diversas línguas é enorme e por vezes pode-se encontrar online alguma ajuda. Fica aqui uma lista.

Mas um dos meus "falsos amigos" favorito, e a razão que hoje me lembrei de escrever é a palavra "constipation" que raramente aparece nestas listas:
Parece que estou a imaginar um bom Português com uma constipação a espirrar e a dizer ao amigo que está com uma "constipation" (antes que comessem a pensar, não, não me aconteceu porque aprendi bem esta palavra antes de algum dia cair na tentação de a dizer). Se algum dia vocês forem esse Português e o vosso amigo ficar a olhar para vocês com cara de "too much information" (demasiada informação), não fiquem espantados. É que "constipation" quer dizer "prisão de ventre". E se até é igualmente relacionado com a saúde acho que não é bem uma coisa que se partilha da igual forma. Já agora, se quiserem, dizer constipação podem dizer "common cold".

Admito que já disse alguns destes falsos cognatos ao longo da minha vida, mas é o preço que se paga de falar metade do nosso tempo numa língua e outra metade noutra. Sempre a aprender...

domingo, janeiro 26, 2014

World Buskers Festival 2014

Numa semana com a agenda bastante "atribulada" (leia-se preenchida) onde até fomos convidados para um jantar com treze Portugueses (é um record que até pode um dia ser batido porque pelo menos nós conhecemos mais) faço especial destaque para o World Busker Festival.

Como o festival é no Hagley Park, que é em frente a nossa casa, nas nossas caminhadas de final de dia ou fim de semana dá sempre para espreitar um pouco do festival.

Este ano não tivemos buskers Portugueses (o ano passado tivemos o Pedro Tochas - vejam o site clicando no nome) mas já conseguimos encontrar um busker (um busker é um artista de rua, que acho que felizmente neste lado do mundo é muito mais bem aceite) que falava Português, não fosse ele Galego. Nota: momento muito interessante quando ele, antes de actuação, começa a falar Galego para quem quer que o percebesse (que eram poucos no meio de muitos). Não o conhecíamos de todo mas é sempre bom falar em Português (nota: Galego é Português, para os distraídos que nunca repararam) o no final lá o fizemos por um bom bocado.

O interessante neste festival é que não se paga entradas ou quando se paga são valores mínimos que servem apenas para pagar o lugar do espectáculo quando não "são na rua". No final da actuação paga-se aos artistas o que se acha que eles merecem (como a um artista de rua). A mim custa-me menos pagar no final se gostei do que se pagasse a mesma quantidade só por ser a entrada e sem saber o que esperar. E alguns de facto merecem pela qualidade do espectáculo.

Um festival mesmo muito interessente. Este ano já assistimos a várias actuações boas. A mais interessante até este momento foi "O rapaz com a fita-cola na cara" (esta tradução ficou mesmo estranha, mas mesmo em Inglês o nome fica igualmente estranho).

Aqui ficam ainda duas fotos deste ano, uma no Hagley Park e outra nos Jardins Botânicos (que são dentro da área do Hagley Park mas são uma zona considerada distinta). Ou seja, tudo dentro de áreas verdes e jardins de flores, não fosse a "alcunha" de Christchurch a "Cidade Jardim" (o festival tem diversos palcos por estas zonas verdes e alguns no Casino e noutros edifícios ou tendas):



segunda-feira, janeiro 20, 2014

Sempre os terramotos... e as águias a cair...

Nova terramoto dos "grandes" na Ilha Norte.
Não houve muitos estragos (isto é tudo relativo, tenho a certeza que algumas pessoas tem muito que se queixar, mas nada que não se consiga reparar) mas abanou bem.

Acho estranho os estragos no aeroporto onde as "águias" do Hobbit caíram. Como é possível num aeroporto internacional que todos sabem sujeito a terramotos que aquelas águias não estivessem muito bem presas. Afinal foi a única coisa que por lá caiu. É o problema de pôr as águias no topo. Acabam sempre por cair.
Vejam a imagem:


Mas o mais curioso mesmo é a normalidade com que a vida segue mesmo perante um terramoto. Afinal o que é mais importante? Claro que são as "corridas"... há que saber bem as prioridades na vida:

domingo, janeiro 19, 2014

Longe... mas felizes e quentes...

No post anterior a este, falava acerca de em alguns momentos haver saudades por estarmos longe de Portugal. Felizmente temos a sorte de estar num país que nos ajuda no dia a dia com locais fantásticos, mesmo ao lado de onde moramos, e que nos fazem sentir felizes.

Assim, e já que as temperaturas já ultrapassavam os 32ºC aproveitamos o dia para ir à praia. A nossa opção foi uma das praias mais afastadas mas que é uma das que mais gostamos (apesar de aqui não haver praias com muita gente porque... vamos ser realistas, não há muita gente). Tivemos a companhia de um casal amigo e fomos pelos caminhos pelo meios das colinas até um local onde estacionamos o carro fazendo depois uma caminhada até à praia.

A temperatura da água até estava boa (dentro do possível visto ser aberto ao oceano Pacífico) e o calor convidativo. O bom desta praia é ser em areia muito fina, ter poucas pessoas, ser muito protegida (é numa baía muito fechada) e enquanto por lá estamos termos a companhia de muitas aves e das focas (ver fotos abaixo) que também por lá andam na sua vida.






... mas que eu morra em Portugal.

Hoje tive a oportunidade de rever "A Gaiola Dourada".
Foi num dos cinema de filmes alternativos da cidade (que boa descoberta foi): Um cinema com umas quatro salas pequenas (6 filas de 8 lugares cada) e com um aspecto muito interessante (o verdadeiro feeling de cinema "indie").

Queríamos ver este filme no grande ecrã e ainda mostrar um pouco de Portugal a uns amigos de cá, naquilo que acho uma descrição bastante interessante da nossa cultura.

Se a minha opinião do filme já estava positiva há muito, admito que ver este filme num cinema no país onde se vive, quando se está tão longe de Portugal custa um pouco. É muito da nossa cultura ali representada e todo o sentimento de viver longe de tudo aquilo e que isso nos faz sentir.

No momento, perto do final do filme, em que o fado "Prece" da Amália é cantado na voz de Catarina Wallestein admito que a mim, que há mais de dez ano que gosto de fado, mexeu lá dentro e custou.

Não somos o mesmo tipo de emigrantes, é verdade,  e não temos o super plano de regresso para uma quinta do Douro um dia, mas nunca vamos deixar de ter as nossas raízes em Portugal... e acima de tudo de sermos Portugueses...

Talvez que eu morra na praia
Cercada em pérfido banho
Por toda a espuma da praia
Como um pastor que desmaia
No meio do seu rebanho.

Talvez que eu morra na rua
E dê por mim de repente
Em noite fria e sem luar
E mando as pedras da rua
Pisadas por toda a gente.

Talvez que eu morra entre grades
No meio de uma prisão
Porque o mundo além das grades
Venha esquecer as saudades
Que roem meu coração.

Talvez que eu morra no leito
Onde a morte é natural
As mãos em cruz sobre o peito
Das mãos de Deus tudo aceito
Mas que eu morra em Portugal.

sexta-feira, janeiro 10, 2014

Não sou Kiwi...

Está provado que ainda não sou Kiwi...

Terramoto de 4.5 (escala de Ritcher), com epicentro a 4km da minha empresa e a 5km de profundidade (ou seja, abanou e sentiu-se bem).

Foi fortinho mas não muito assustador (pelo menos agora que já estou bem habituado).
Ainda assim os estrangeiros da minha equipa ainda olhamos uns para os outros a "dizer" tipo: "Sentiste?".
Os Kiwis nem esboçaram uma reacção, tipo: "All in a day's work"...

Ainda preciso de mais uns anos para ser Kiwi... mas espero lá chegar...

*** Actualização:
Entretanto um dos sites de referência actualizou a informação deste terramoto:
4.20 na escala de Ritcher a 12km de profundidade.

When I get old and losing my hair... many years now...

Há momentos na vida que, sem dúvida, me posso sentir privilegiado:

Na semana passada tive a oportunidade de assistir, na mundialmente famosa Ópera de Sydney, a um concerto (fantástico) de homenagem aos Beatles onde uma das músicas tocadas foi a "When I am sixty-four".  E sinto-me privilegiado porque esta não foi a primeira vez que ouvi esta música num local fantástico nos últimos meses. Pouco antes da viagem para a Austrália, não havia cenário por trás do coro mas sim uma imensa floresta perto de Rotorua e a audiência eram os poucos caminhantes da mesma que se cruzaram com este inesperado concerto.

Eu ainda tinha, como bónus, uma cantora especial no meio do coro...

Este foi o vídeo que fiz desse momento:



Da Ópera ficam estas recordações do início do concerto, o resto só estando lá...



domingo, janeiro 05, 2014

Organizar férias...

Adoramos viajar e apesar de estarmos muito longe de sermos quem mais viaja dos nossos amigos não nos podemos queixar do que conhecemos pelo mundo.

Mas para se poder viajar da forma que fazemos é preciso ter alguma organização de forma a conseguir-se os preços mais em conta possíveis (se não o orçamento não chega). Por exemplo, já não me lembro da última vez que organizei algo com agência de viagens, mas tenho a certeza que faço melhores preços  para o nosso estilo de viagem que eles.

Nas nossas primeiras viagens a dois, por volta de 2004, usávamos a rede internacional de Youth Hostels (pousadas da juventude). Numa fase seguinte e quando já não queríamos ficar em camaratas ou quartos partilhados (que acontecem algumas vezes nestes hostels) procurávamos as dormidas no booking.com e juntamente com o TripAdvisor  (escolhia-se o hotel com melhor relação qualidade/preço tendo em conta as opiniões das pessoas).

Depois trocamos para o conceito de Bed & Breakfast (B&B), que basicamente são pessoas que alugam partes da sua casa (ou a casa completa) e fazem negócio com isso, disponibilizando o pequeno almoço e dormida. Normalmente tem um site simples com indicações e preços e depois é necessário entrar em contacto com elas. A primeira vez que o fizemos foi em 2005 ou 2006 (falha-me a memória) e ainda é a nossa forma preferida de procurar dormida, até porque assim conhecemos as pessoas donas da casa dão-nos sempre dicas úteis. Normalmente são casais reformados que os filhos já saíram de casa e tem quartos disponíveis (vazios) que acabam assim por os rentabilizar.

Mas estas férias resolvemos finalmente (já andávamos há algum tempo a estudar esta possibilidade) usar o AirBnB. É um conceito muito próximo do B&B, como o nome indica, mas é um local online onde qualquer um pode alugar um quarto, casa ou apartamento e o negócio é todo feito através do site (pagamento e cauções inclusive). Interessante é que se o anfitrião cancelar uma reserva, este, para além de devolver o dinheiro, tem de pagar um "indemnização" pelo cancelamento (aconteceu-me nesta viagem). Como todas as transações são feitas através do site, não há complicações envolvidas de pagar ou não pagar (eles tem o dinheiro todo do lado deles). Claro que se cancelarmos acontece o mesmo, a não ser que haja acordo entre as partes. Os preços são MUITO mais em conta que os hotéis e a qualidade atrevo-me a dizer que por vezes é superior. Como em tudo estou certo que há experiências menos boas, mas a nossa foi excelente (em mais que um local). Também há que fazer algum trabalho de casa sobre as casas para onde vamos (da mesma forma que as pessoas também fazem sobre quem aceitam na sua casa). Por norma há umas trocas de emails e conversas antes dos pedidos serem aceites.

É um sistema similar ao "coach surfing" mas ao contrário deste, que não envolve pagamentos obrigatórios, existe uma obrigação financeira que faz com que haja uma expectativa mais alta (por exemplo o pagamento que falei anteriormente em caso de cancelamento). Depois as pessoas avaliam-se e dão opinião umas das outras (os anfitriões dos convidados e vice-versa).

Nesta fase, em termos de alojamento, parece ser uma das alternativas mais interessantes para nós alternando com algumas das soluções que fazíamos anteriormente.

Outro cuidado a ter são os transportes. Se em Sydney compramos um passe de transportes públicos por 7 dias no resto da viagem alugamos um carro que nos permitiu ir a vários locais que de outra forma não se conseguem alcançar. Também aqui há muitas ofertas. Se há dois meses quando precisamos de um carro em Rotorua podemos ir para uns bem mais baratos desta vez e em viagens grandes é sempre bom usar uma das maiores companhias para ter a certeza de um carro melhor (que fazem a diferença nas grande viagens - 2500km como esta). Estas companhias tentam sempre ganhar dinheiro de todas as formas, por isso sempre atenção ao processo (há sempre quem tente aldrabar, mesmo nas grandes).

A última dica para viagens ao estrangeiro são os cartões de telefone. A Internet hoje em dia acaba por ser fundamental para planear e tomar decisões rápidas. A primeira coisa que fizemos nesta viagem foi comprar um cartão de telefone Australiano, com duração de 15 dias e com 500mb/dia e chamadas e SMS de graça para Austrália. Por 2$ por dia tivemos net sempre que foi preciso. Era no telemóvel mas nunca ficamos sem Internet (a não ser quando me esqueci de carregar a bateria).

Quanto ao tempo, gostaria de reforçar a ideia que começamos a organizar esta viagem há 7 meses atrás e quando avançamos com as coisas há 6 meses já estava quase tudo preenchido para Sydney (apesar de ser com 6 meses de antecedência foram as férias mais difíceis de se arranjar coisas com preços aceitáveis). Por isso mesmo que acham que estão a planear com antecedência (com o espirito mais Português) e se estão a pensar ir para fora, não estão. Quanto mais cedo melhores negócios se fazem.
Tenho amigos já a planear viagens para daqui a 2 anos (mas isso é outro campeonato).

Aqui ficam alguns dos locais da nossa dormidas com estes sistemas (convém recordar que bem mais baratos que hotéis) e o carro que nos acompanhou na viagem em frente ao local da nossa primeira noite.

Carro e casa onde ficamos a primeira noite... com vista para o mar e a um minuto da praia. 
Vista do quarto da segunda noite...
Apartamento fantástico que ficamos em Melbourne (Prahram)
Localização e designs excelentes. 

Sydney... de volta à cidade...

Depois de mais de uma semana em viagem pela "maior ilha do mundo" chegou a vez da maior cidade da Austrália: Sydney.

O grande objectivo da visita a Sydney era termos a sensação de "voltar à cidade", ter um pouco mais de "eventos culturais" e "ver mais pessoas na rua" do que aquelas que temos em Christchurch. Isto a acrescentar, obviamente, ao desejo que já tinha há muitos anos de um dia fazer a passagem de ano na Baía de Sydney com a Ópera e a ponte como fundo.

Assim os nossos dias nesta última semana foram passados a andar pelas ruas de Sydney, ver algumas lojas (com variedade de artigos), ir ao cinema ver um filme no cinema com o maior ecrã do mundo (que para ironia acabou por ser um filme filmado na Nova Zelândia: Hobbit 2), ir ver um concerto na Ópera de Sydney e ir a esplanadas e bares inclusive com Portugueses que estão por este lado do mundo (que conhecíamos de diferentes sítios). Um programa de verdadeiro relax, com umas boas horas de sono e ainda uns jantares em restaurantes Portugueses (que em Sydney há vários). O final das férias foi feito com um dia de praia já no novo ano.

Quanto à passagem de ano em Sydney é qualquer coisa do outro mundo. Pelo menos deste lado do mundo. Mais de um milhão de pessoas à volta da Baía, algumas já instaladas desde a manhã a procurar a melhor posição. Muitos barcos (uns com mais autorização que outros) estrategicamente colocados e todo um aparato que sinceramente é indescritível. Quanto ao fogo de artifício em si, foi bastante interessante e envolvente (principalmente na nossa localização). Na realidade são "os fogos", porque há dois: uma sessão para as crianças às 21h e depois a oficial à meia noite.
Ainda que o fogo fosse de boa qualidade (sem dúvida), esperava algo ainda maior (ou pelo menos... mais longo - foram 10 minutos). Provavelmente esperava algo como nunca tivesse visto...

Apesar do fogo ficar ligeiramente abaixo das expectativas a experiência em si (de tudo que envolve o evento) foi fantástica e é algo a fazer-se uma vez na vida (e uma vez chega por causa de tudo o que envolve, principalmente ficar em Sydney nos dias de passagem de ano, que fica bem mais caro que noutra altura do ano qualquer e requer uma preparação com mais de 6 meses de antecedência).

Como nestes dias não tínhamos Internet suficientemente boa para escrever no blog e mandar fotos rapidamente, aqui fica agora também um resumo em fotos dos passeios por Sydney (escusado será dizer que a minha zona favorita foi a da Baía, embora a zona onde ficamos, Newtown, também foi interessante pela sua "onda mais relax":








Nota: a Ópera de Sydney fez o ano que acabou agora 40 anos... algo que acho fantástico tendo em conta a sua arquitectura e todos os detalhes na sua construção...